Suíça defende diplomata que atuou em mediação com as Farc

Genebra, 7 jul (EFE).- A Suíça expressou hoje sua disposição em continuar trabalhando para conseguir a libertação de todos os reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e defendeu o mediador do país, apesar das dúvidas de Bogotá sobre a função desempenhada por ele.

EFE |

"Nossa posição não mudou. Continuamos manifestando nossa plena disposição em continuar fazendo o papel de mediadores, juntamente com Espanha e França, como fazemos há anos, para conseguir a libertação dos reféns", disse o porta-voz do Departamento de Assuntos Exteriores suíço, Jean-Philippe Jeannerat.

O porta-voz não comentou as declarações feitas pelo ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que, em entrevista ao jornal "El Tiempo" publicada no domingo, acusou indiretamente o mediador suíço, Jean Paul Gontard, de conivência com as Farc.

Santos disse que Gontard "terá que explicar por que aparece nas mensagens de 'Raúl Reyes' como o portador dos US$ 500 mil apreendidos da guerrilha colombiana na Costa Rica", se referindo ao porta-voz internacional das Farc morto em uma operação militar colombiana em 1º de março.

"O senhor Gontard tem toda nossa confiança. Fez um excelente trabalho, sempre respeitando as condições de suas atribuições e a fim de facilitar a libertação dos reféns", destacou Jeannerat.

As explicações exigidas por Bogotá sobre o papel desempenhado por Gontard remontam a 2000, quando o diplomata suíço negociou com as Farc a libertação mediante o pagamento de um resgate de dois funcionários da farmacêutica Novartis que tinham sido seqüestrados.

Em entrevista hoje à "Radio Suisse Romande" ("RSR"), o presidente da Novartis, Daniel Vasella, negou que Gontard tenha sido o "portador" do dinheiro para as Farc para libertar os funcionários.

"O senhor Gontard, até onde eu sei e segundo todas as fontes que pude consultar na época, era um intermediário diplomático para poder estabelecer contato e libertar os dois reféns, que ficaram retidos durante meses em circunstâncias muito difíceis", disse Vasella.

"De nossa parte, só temos reconhecimento ao senhor Gontard, que ajudou a libertar esses reféns através de meios diplomáticos", acrescentou.

Perguntado sobre se o mediador suíço "transportou fisicamente o dinheiro do resgate", Vasella respondeu: "Não que eu saiba".

Gontard e o diplomata francês Noël Saez continuam seu trabalho de mediação e chegaram a se reunir com guerrilheiros na selva no final de semana anterior à operação de inteligência do Exército colombiano que libertou Ingrid Betancourt e outros 14 reféns.

Desde então, a imprensa suíça tem insistido na versão de que a libertação foi possível por causa do pagamento de um suposto resgate no valor de US$ 20 milhões, o que é desmentido por Bogotá.

O jornal suíço "Le Temps" apresentou hoje a hipótese de que as acusações de Santos contra Gontard sejam uma "vingança", pois o ministro consideraria o diplomata a possível fonte de vazamento desses boatos.

Em entrevista à emissora "La W Radio", o alto comissário para a Paz colombiano, Luis Carlos Restrepo se declarou "preocupado" com as dúvidas sobre o papel de Gontard e disse que o Governo colombiano pode rever a mediação do representante suíço com as Farc.

"Ficam muitas dúvidas em torno do trabalho que se vislumbra, o que pode originar um replanejamento desta tarefa", disse.

Restrepo também se referiu à gravidade da possibilidade de envolvimento de um emissário.

O comissário lembrou que já houve dificuldades com Gontard em outras ocasiões.

"Já no final de 2004 e início de 2005, houve uma posição muito clara do Governo, pois consideramos que estava passando dos limites com as Farc", disse Restrepo.

O comissário considerou pertinente o contato direto com os Governos sem a necessidade de recorrer a emissário que eventualmente possam entorpecer um trabalho humanitário. EFE vh/wr/db

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