Suíça condena brasileira que disse ter sido agredida a pagar multa de R$ 20 mil

ZURIQUE - A brasileira Paula Oliveira foi condenada nesta quarta-feira, na Suíça, a pagar uma indenização de R$ 20 mil no Tribunal de Zurique por mentir à Justiça suíça e induzir o poder judiciário ao erro, segundo o jornal local 20min.

iG São Paulo |

Antes de ser condenada, a brasileira disse nesta quarta-feira a um juiz do tribunal de Zurique que não se lembra de ter se auto flagelado e manteve a primeira versão dada a polícia. "Eu fui agredida", disse.

"Essa versão dos fatos corresponde à verdade que está gravada na minha cabeça." O advogado de defesa da brasileira tentou apresentar Paula Oliveira como alguém que sofre de problemas psiquiátricos, mas a versão foi descartada em julgamneto.

Nos dias seguintes à suposta agressão, em fevereiro, Paula confessou à polícia de Zurique que tudo não havia passado de uma farsa. Durante o julgamento, ela apresentou uma nova versão dos fatos.

A Procuradoria de Zurique, que por sete meses investigou o caso, não pediu que a brasileira seja presa por considerar que uma pena financeira já seria suficiente.

Entenda o caso

Em fevereiro, a brasileira chamou a polícia e contou que havia sofrido um ataque na periferia de Zurique. Ela dizia estar grávida e ter sido agredida por neonazistas. Em seu primeiro depoimento, Paula disse ter sofrido um aborto de gêmeos e o caso mobilizou a diplomacia brasileira.

O governo chegou a preparar uma ação na Organização das Nações Unidas (ONU), alegando um ataque xenófobo, e um verdadeiro circo político foi montado para atender a brasileira.

Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a fazer declarações, apontando para a "incrível violência contra uma mulher brasileira no exterior". Outros ministros lembraram o Holocausto. O pai da brasileira, Paulo Oliveira, era assessor de um parlamentar.

Sigilo

Agora, a ordem é sigilo total diante da acusação de armação. Para a polícia, Paula confessou nos dias seguintes ao ataque que tudo não passava de uma armação. Um laudo médico feito pela Universidade de Zurique provou que ela não estava grávida.

Seu pai, Paulo Oliveira, continuou mantendo por semanas a tese de que não duvidaria da palavra de sua filha. Um processo foi aberto contra a brasileira e ela foi formalmente acusada.

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