Suécia tem primeira morte por surto de bactéria intestinal fora da Alemanha

Casos na Suécia e na Alemanha elevam para 16 número de mortes; Dinamarca, França, Grã-Bretanha e Holanda também têm infectados

iG São Paulo |

Duas novas mortes relacionadas a um surto de uma bactéria intestinal na Europa - cuja origem seriam vegetais contaminados - foram registradas nesta terça-feira, incluindo a primeira fora da Alemanha, enquanto o número de casos continua a aumentar. Os dois casos elevaram para 16 o total de mortos pelo surto, com o noroeste da Alemanha sendo a região mais afetada.

Autoridades hospitalares em Boras, Suécia, anunciaram a morte de uma mulher de cerca de 50 anos que foi internada em 29 de maio depois de uma viagem à Alemanha. As autoridades suecas dizem que há 36 casos suspeitos de contaminação, todos ligados a pessoas que viajaram ao norte de Alemanha.

AP
Vendedor de rua é visto perto de pepinos expostos para venda do lado de fora de mercado de Berlim, Alemanha. Foco de contaminação foi identificado em vegetais crus
Em Paderborn, Alemanha, o conselho local disse que uma mulher de 87 anos que também sofria de outras doenças morreu.

Na Alemanha, o centro de controle nacional de doenças disse que 373 pessoas estavam doentes com a forma mais séria do surto - a síndrome hemolítico-urêmica (SHU), uma rara complicação decorrente de uma infecção comumente associada à Escheridia Coli. Na segunda, havia registro de 329 casos.

Susanne Glasmacher, porta-voz do Instituto Robert Koch (agência nacional de saúde alemã), disse que outras 796 pessoas foram afetadas pela E. coli Enterohemorrágica , também conhecida como EHEC - chegando a um total de mais de 1.150  infectados.

Centenas também estão doentes em outros países europeus, mas até esta terça-feira apenas a Alemanha tinha registrado mortes. Outros casos foram reportados na Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Holanda e Suíça.

Piora nos próximos dias

Segundo cientistas alemães, o surto de infecções deve piorar nos próximos dias. “Esperamos que o número de casos caia, mas tememos que piorará”, afirmou Oliver Grieve, do Centro Médico Universitário Scleswig-Holstein, onde a maioria das vítimas alemãs está sendo tratada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu o surto de E.coli como “muito grande e muito grave” e pediu para os países afetados trabalharem em conjunto para encontrar a fonte de contaminação.

A Alemanha identificou inicialmente pepinos importados da Espanha como a fonte do surto, mas autoridades espanholas questionam a afirmação, dizendo que ainda não está claro quando e onde os legumes foram contaminados.

Vários países europeus já adotaram medidas para tentar impedir a propagação da bactéria, proibindo a importação de pepinos ou retirando o produto dos supermercados.

Na segunda-feira, a ministra da Agricultura da Espanha, Rosa Aguilar, negou que os legumes espanhois estivessem contaminados e disse que o país poderá buscar na Justiça uma indenização pelos danos à sua imagem. “A imagem da Espanha está sendo prejudicada, os produtores espanhois estão sendo prejudicados e o governo espanhol não está preparado para aceitar essa situação”, afirmou.

Aguilar pediu à Alemanha que acelere suas investigações sobre as causas do surto. Os resultados das análises devem ser divulgados entre esta terça-feira e quarta-feira. As autoridades alemãs pediram que as pessoas evitem comer pepinos, tomates e alface crus.

Transmissão

A contaminação pela E.coli não é diretamente contagiosa, mas pode ser transmitida entre as pessoas se um paciente infectado prepara comida para outros sem lavar as mãos. A E. coli se propaga principalmente pela comida, pela água contaminada ou pelo contato com animais doentes.

Segundo especialistas, é possível evitar a contaminação simplesmente lavando bem os alimentos antes do consumo. Os sintomas típicos da infecção pela bactéria são febre moderada e vômito. Em alguns casos, há diarreia com sangue nas fezes.

A maioria dos pacientes se recupera em cerca de sete dias, mas uma parcela deles pode desenvolver a síndrome hemolítico-urêmica. A síndrome leva a problemas nos rins e pode matar. A ocorrência de SHU nos pacientes surpreendeu os pesquisadores porque, normalmente, a doença afeta crianças com menos de cinco anos. Mas, no caso alemão, 90% dos pacientes são adultos e dois terços são mulheres, segundo a BBC.

O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com sede na Suécia, disse que o surto de SHU é “um dos maiores que já foram registrados no mundo e o maior já registrado na Alemanha”.

No caso da Alemanha, a doença parece ser causada por uma variedade da E. coli que produz uma toxina específica que destrói hemácias (células vermelhas do sangue) e provoca insuficiência renal. Nos casos mais graves, a síndrome provoca convulsões e problemas graves no sistema nervoso.

Os especialistas alemães dizem que mais mortes deverão ocorrer na Alemanha, uma vez que 30  infectados perderam suas funções renais. Além disso, os sintomas aparecem em até dez dias depois da infecção pela bactéria, então mesmo que o foco seja identificado e contido, os casos devem aumentar nos próximos dias.

*Com AP e BBC

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