Suécia pede que UE se concentre em crise econômica e mudança climática

Estrasburgo (França), 15 jul (EFE).- A Suécia pediu hoje aos outros membros da União Européia (UE) que se concentrem em responder aos problemas ligados à mudança climática e à crise econômica e que adiem, pelo menos até outubro, todas as complicações institucionais ligadas ao Tratado de Lisboa.

EFE |

O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, pediu hoje a espera pelo voto dos irlandeses, previsto para o dia 2 de outubro, e que não haja mais especulações sobre a composição da futura Comissão Europeia.

Diante do Parlamento recém constituído, Reinfeldt voltou a expressar o respaldo dos 27 países-membros ao português José Manuel Durão Barroso, para um segundo mandato à frente do Executivo da UE.

Segundo o tratado, a renovação da Comissão Européia será realizada em dois períodos: primeiro o presidente é eleito e depois sua equipe de comissários. Os dois passos devem esperar o sinal verde do Parlamento Europeu.

Uma maioria da Câmara não apoiou a votação de Barroso nesta sessão constitutiva, mas já existe um acordo entre populares, socialistas e liberais para debater sobre sua confirmação no próximo plenário, que será realizado em setembro.

Barroso se comprometeu a apresentar suas "diretrizes programáticas", que dependerão do apoio final dos deputados europeus.

A incerteza sobre o calendário e o procedimento para a escolha do resto de sua equipe continuará, se os fundamentos do Tratado de Nice (em vigor) e o de Lisboa (pendente de ratificação) forem alterados.

Em um princípio, os 27 líderes trabalhavam com a hipótese de escolher o presidente do Executivo comunitário sob o Tratado de Nice e designar o resto do colégio com as novas normas, depois do plebiscito irlandês.

As novas normas eliminariam um problema, pois segundo Nice, um país dos 27 deveria ficar sem comissário em Bruxelas.

Reinfeldt não quis dar nenhum passo hoje sobre o confuso cenário institucional.

"Vamos ter de esperar", disse, assegurando que a especulação de um resultado positivo do plebiscito "seria uma mensagem ruim para a Irlanda" e para os outros três países que ainda não ratificaram Lisboa (República Tcheca, Polônia e Alemanha).

"Podemos especular muito, mas é importante esperar o resultado do plebiscito", insistiu Reinfeldt, que reconheceu que seu semestre na Presidência será "muito complicado".

O líder da câmara da UE, o francês Joseph Daul, apontou hoje novas dúvidas sobre a possibilidade de uma rápida entrada em vigor do Tratado de Lisboa e defendeu que a Comissão inteira seja escolhida de acordo com Nice.

Segundo Daul, se o presidente tcheco, Vaclav Klaus, não firmar a ratificação, então a República Tcheca deve ficar sem um representante no Executivo da UE.

Na entrevista coletiva junto a Reinfeldt, Barroso não quis comentar as declarações, mas admitiu que "ninguém sabe no momento quando a situação estará madura" para escolher ao novo colégio de comissários.

O processo de ratificação do Tratado de Lisboa dificulta a margem de manobra dos suecos.

Um acordo global contra a mudança climática e as medidas para mitigar o impacto da crise econômica será determinado durante os próximos seis meses, além das prioridades da Presidência rotativa sueca da UE, reiterou hoje Reinfeldt.

O primeiro-ministro advertiu sobre a necessidade de obter um compromisso entre as potências do mundo na conferência de Copenhague, que será realizada em dezembro, na qual se buscará um acordo mundial sobre o aquecimento global.

"Estamos diante de um dos maiores desafios de nossa geração", alertou o líder sueco, que insistiu que as medidas devem ser aplicadas agora.

Em seu discurso, Reinfeldt disse que a Europa deve atuar de forma coordenada diante da crise econômica e combater o corte de postos de trabalho, trabalhando para ser mais competitivo que outras economias.

No entanto, chamou a atenção sobre a difícil situação das finanças públicas e lembrou que, segundo as previsões da Comissão Europeia, a dívida na UE superará 80% do PIB no ano que vem.

"Não podemos fechar nossos olhos e fingir que isto não é um problema", assinalou.

Junto a estes dois grandes temas, Reinfeldt se comprometeu a apresentar novas propostas no âmbito de interior e de Justiça, com especial atenção para o controle de fronteiras e asilo político.

Neste ponto, o líder dos socialistas espanhóis, Juan Fernando López Aguilar, pediu atenção, para evitar um "desvio para posições reacionárias" em assuntos como imigração e segurança fronteiriça.

EFE jms-mvs/pd

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