Suécia investigará se Nobel da Paz respeita critérios de criador

Oslo, 10 dez (EFE).- As autoridades suecas pretendem abrir uma investigação sobre se o Comitê Nobel norueguês respeita a vontade expressada em seu testamento pelo fundador destes prêmios, Alfred Nobel, na hora de conceder o prêmio da Paz, informou hoje a rádio pública norueguesa NRK.

EFE |

O prêmio da Paz é o único Nobel concedido fora da Suécia, em Oslo, mas é, em última instância, a Fundação Nobel, com sede em Estocolmo, que avaliza a vontade do fundador.

A polêmica faz parte da história do prêmio Nobel da Paz não só pela escolha dos ganhadores em si, mas também pelos critérios utilizados.

Alfred Nobel deixou escrito em seu testamento que o prêmio devia reconhecer pessoas que contribuíssem para fomentar a fraternidade entre as nações, a redução de armamento e a promoção da paz.

O Comitê Nobel promoveu nos últimos tempos uma interpretação heterodoxa, incluindo méritos como a luta pelo meio ambiente - a queniana Wangari Maathai (2004) ou Al Gore e Rajendra Pachauri (2007) - ou contra a pobreza - o bengalês Mohammed Yunus e seu banco de microcréditos Grameen Bank (2006).

O norueguês e conhecido ativista pela paz Fredrik S. Heffermehl acusou, em seu livro "Nobel's Will" (A vontade de Nobel), publicado há dois meses, o Comitê Nobel de transgredir os desejos do criador dos prêmios ao concedê-los.

Heffermehl sustenta que apenas 45% dos premiados desde 1945 cumprem esses critérios, contra 85% do período anterior.

O jurista norueguês acredita que este desvio obedece a dois razões: interesses da nova maioria política na Noruega surgida após o pós-guerra e os vínculos com o empresariado para abusar do prêmio e transformá-lo na "marca internacional" do país.

Por isso pediu a renúncia do Comitê Nobel norueguês e avisou que empreenderá medidas judiciais contra esta entidade.

O chefe do Comitê, Ole Danbolt Mjos, respondeu dizendo que "respeitamos ao máximo o testamento de Alfred Nobel em tudo o que fazemos, tudo tem que ocorrer segundo o espírito de Nobel. Mas ele era uma pessoa dinâmica, e achamos que está em seu espírito expandir o conceito de paz. Há vários caminhos rumo à paz".

O ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari receberá hoje às 13h (10h de Brasília) o Nobel da Paz 2008 por seu trabalho como mediador internacional durante três décadas, em cerimônia na Prefeitura de Oslo. EFE alc/jp

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