Por David Stanway PEQUIM (Reuters) - As negociações globais sobre o clima estão progredindo muito lentamente e muitos países estão exigindo a ação de outras nações em vez de atuarem por si próprios, disse o ministro do Meio Ambiente da Suécia, Andreas Carlgren, na segunda-feira em Pequim.

A Suécia detém a presidência rotativa da União Europeia até o fim deste ano, durante o qual as negociações globais sobre o clima culminarão em uma conferência em Copenhague em dezembro. Nesse encontro, os países buscarão chegar a um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto.

"As negociações estão muito lentas porque muitas pessoas estão apontando para as outras e exigindo que façam mais", disse Carlgren em Pequim na segunda-feira. Ele acrescentou que a UE não tem "plano B" para além de Copenhague. "É por isso que a UE disse que reduzirá suas emissões em 20 por cento independente de qualquer coisa."

"Então, se outras partes agirem desta forma, avançando, conseguiremos grandes coisas em Copenhague", disse Carlgren, acrescentando que teve uma troca de ideias franca com autoridades chinesas.

A China ultrapassou os Estados Unidos como maior emissor mundial de gases do efeito estufa, por causa de sua grande expansão econômica e dependência do carvão, combustível fóssil mais poluidor que existe.

Países em desenvolvimento, liderados por China e Índia, querem que os países ricos reduzam suas emissões, vindas principalmente da queima de combustíveis fósseis, em pelo menos 40 por cento abaixo dos patamares de 1990 até 2020.

Na semana passada, membro do Fórum de Grandes Economias, que tem 17 membros, concordaram durante encontro na Itália que o aumento da temperatura global dever ser limitado a dois graus Celsius acima dos níveis da era pré-industrial, mas também afirmaram que nações em desenvolvimento como Índia e China devem se comprometer com metas significativas de redução de emissões de carbono após 2012.

Carlgren disse que a União Europeia concorda que os países em desenvolvimento "devem apresentar metas de médio prazo que levarão a um desvio significativo da maneira que as coisas são feitas atualmente".

Isso significaria uma redução nas emissões de CO2 na Índia e na China de 15 a 30 por cento se comparado com as projeções atuais.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, e o secretário do Comércio, Gary Locke, estão em visita à China nessa semana para pressionar os líderes chineses a tomarem medidas para combater o aquecimento global.

A viagem também serve como preparação para a visita do presidente norte-americano, Barack Obama, ainda neste ano. Muitos especialistas da área ambiental esperam que a ida ao país se concentre na necessidade ação conjunta entre China e Estados Unidos antes da reunião de Copenhague.

Os Estados Unidos assinaram, mas nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto, o que fez do país a única grande nação desenvolvida a ficar fora do acordo.

(Reportagem de David Stanway)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.