José Manuel Sanz. Estocolmo, 1 jul (EFE).- A Suécia assumiu hoje a Presidência rotativa da União Europeia (UE), com um pedido às forças políticas para que se concentrem nos graves problemas que o bloco enfrenta.

"Não é o momento de olhar para seu próprio umbigo", afirmou o primeiro-ministro sueco, o conservador Fredrik Reinfeldt, na entrevista coletiva inaugural da nova Presidência comunitária.

A Suécia, um dos países mais desenvolvidos da Europa, se propôs a alcançar resultados tangíveis em duas frentes prioritárias: a prevenção de novas crises financeiras e um ambicioso acordo mundial contra as mudanças climáticas.

Nas duas questões, os europeus "não têm nem um minuto a perder", disse Reinfeldt.

O novo presidente em exercício da UE voltou a expressar seu desejo, para que as incertezas sobre as designações da nova Comissão Europeia sejam resolvidas o mais rápido possível, instituição que impulsiona as políticas comuns.

Na mesma entrevista coletiva, realizada depois da tradicional reunião entre o Governo da Presidência e os membros da Comissão, o líder do Executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, defendeu que a "as instituições não podem ser debilitadas".

Barroso, que já recebeu o respaldo unânime dos Governos e agora tenta obter o apoio do Parlamento, fez hoje uma chamada a socialistas e liberais para que, dentro de uma "grande coalizão", apóiem sua intenção de renovar seu mandato à frente do órgão Executivo da UE.

O presidente da Comissão Européia se definiu como um "reformador de centro" e rejeitou categoricamente a "caricatura" que "alguns meios" fazem dele, apresentando-o como um neoliberal.

Barroso explicou que uma instituição como a Comissão da UE não pode seguir só uma orientação ideológica.

"Em minha Comissão, atualmente temos socialistas, mas também liberais e elementos do Partido Popular Europeu (PPE) e assim será na próxima Comissão", afirmou.

Por isso, argumentou, "seria bom que tivéssemos o apoio dos comissários no Parlamento que venham dessas famílias políticas".

Barroso também se mostrou a favor de que o Parlamento vote o mais rápido possível, se possível em 15 dias, sua confirmação como presidente, como recomendaram os chefes de Estado e de Governo.

Mas, acrescentou, "não sou eu quem vai pressionar o Parlamento em um sentido ou outro, porque respeito muito" esta instituição.

Em sua opinião, convém que exista uma nova Comissão, com plenos poderes estabelecidos rapidamente, de modo que as negociações internacionais sobre as mudanças climáticas, previstas para dezembro, em Copenhague, possam ser preparadas.

Em um encontro com um grupo de correspondentes europeus, o primeiro-ministro sueco avaliou a contribuição que Estocolmo pode fazer neste semestre na prevenção de novas crises financeiras e na determinação de um acordo internacional pós-Kioto, para a redução das emissões de gases poluentes.

Sobre o restabelecimento da confiança no sistema financeiro, a Suécia, argumentou Reinfeldt, "aprendeu muito com sua experiência nos anos 90", quando fez frente, com sucesso, a uma séria crise bancária, gerada por uma regulamentação imprudente e pelo final de sua própria bolha imobiliária.

A nova Presidência enfatizou também a necessidade de que os Governos europeus já comecem a pensar em estratégias coordenadas para tirar suas finanças públicas, o mais rápido possível, da situação na qual se encontram.

O fato de a Suécia não fazer parte da zona do Euro (o país rejeitou a moeda única em um plebiscito realizado em 2003) não deveria impedir um papel ativo da futura Presidência.

Reinfeldt ressaltou o potencial da Suécia para protagonizar a luta contra as mudanças climáticas.

O país está na vanguarda do cumprimento dos objetivos de redução do Protocolo de Kioto, há quase 20 anos, que estabelece uma meta específica sobre emissões de dióxido de carbono (CO2), que reduziria o consumo final de energia em 50% até 2020, contra os 20% da meta da UE. EFE jms/pd

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