Sudão tem 6 mil crianças-soldados, diz Unicef

Existem até seis mil crianças-soldados - algumas com até 11 anos de idade - na conturbada região de Darfur, no Sudão, de acordo com o representante da Unicef (a agência das Nações Unidas para a infância) no país. Ted Chaiban disse que algumas crianças estão ligadas a movimentos rebeldes, outras à milícia apoiada pelo governo e até algumas combatendo no Exército sudanês.

BBC Brasil |

É ilegal pelas leis sudanesas e internacionais ter soldados com menos de 18 anos de idade, acrescentou Chaiban.

As Nações Unidas estão tentando convencer os grupos armados a libertar as crianças.

Desmobilizações
Chaiban disse a jornalistas que algumas crianças se tornaram soldados voluntariamente, mas que outras foram recrutadas à força.

"Qualquer criança que tenha vivido uma situação de conflito, que tenha testemunhado e, mais importante, participado de violência, basicamente se torna desumanizada", afirmou.

"Elas sabem que alguma coisa está errada mas não podem explicar o quê (...) Isto as separa de suas emoções e de seu crescimento normal de uma maneira que é muito mais grave do que em um adulto que vive a mesma experiência."
Espera-se que centenas de crianças-soldados sejam desmobilizadas no ano que vem.

O primeiro grupo será do Exército de Libertação do Sudão, uma facção que tem à frente Minni Minnawi, um dos poucos líderes rebeldes que assinaram um acordo de paz com o governo.

A Unicef vem negociando com as outras facções e espera que elas sigam este exemplo em breve.

No total, Chaiban disse que a agência de proteção à infância estima que cerca de 2,3 milhões de crianças tenham sido afetadas pelo conflito em Darfur, desde seu início, há quase seis anos.

Quase 700 mil crianças nasceram ou cresceram no país sem saber o que é viver sem guerra, disse Chaiban.

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