Sudão suspende relações com o Chade

O Sudão suspendeu suas relações diplomáticas com o Chade, acusando o país vizinho de ajudar rebeldes da região de Darfur a lançar um ataque à capital sudanesa, Cartum. Tanto o Chade como os rebeldes do Movimento da Justiça e Igualdade (JEM, na sigla em inglês) negam ter trabalhado juntos para atacar o subúrbio de Omdurman, que teria sido tomado pelos rebeldes.

BBC Brasil |

O governo sudanês diz que o avanço dos rebeldes, o mais próximo que eles já chegaram a Cartum, foi contido.

Um toque de recolher imposto durante a noite em Cartum foi suspenso, mas a imposição continua vigorando em Omdurman.

Retaliação
O presidente sudanês, Omar al-Bashir, anunciou no canal de televisão estatal que seu país está cortando as relações diplomáticas com o Chade.

"Essas forças (por trás do ataque a Omdurman) são basicamente forças chadianas apoiadas e preparadas pelo Chade e elas saíram do Chade sob a liderança de Khalil Ibrahim (líder rebelde)", afirmou Al-Bashir.

Ele acrescentou que seu país se reserva o direito de retaliar o Chade.

O Sudão ofereceu uma recompensa de US$ 125 mil (o equivalente a cerca de R$ 212 mil) pela captura de Ibrahim e informações que levem à detenção dele, segundo informações da televisão sudanesa.

O líder do JEM, Eltahir Adam Elfaki, no entanto, disse que o grupo agiu sozinho.

"O JEM é independente. É uma força que se construiu sozinha do equipamento do governo do Sudão depois das nossas atividades contra o governo do Sudão", disse ele à BBC, da Líbia.

"Nós os derrotamos em tantas operações. E nós somos mais do que auto-suficientes com equipamento do que se tivéssemos ajuda do Chade. O Chade não tem nada a ver com isso. É uma operação unicamente do JEM."
'Aventura'
O governo do Chade também negou qualquer tipo de envolvimento no ataque.

"O governo chadiano não tem nenhuma ligação com esta aventura", afirmou o ministro da Informação do Chade, Muhammad Hissein, à BBC.

"Além disso, nós condenamos esta aventura e pedimos que todos os grupos de oposição do Sudão participem do tratado de paz de Abuja. Nós estamos surpresos com esta decisão do governo sudanês. Acho que é a primeira vez que rebeldes do Sudão chegam à capital. O governo sudanês perdeu seu auto-controle."
O ministro disse que o Chade não respondeu à suspensão de relações adotada pelo Sudão.

"Não esperávamos que o Sudão cortasse relações então não tomamos nenhuma decisão em resposta à decisão sudanesa agora."
O Sudão disse ter derrotado o JEM, mas continua procurando rebeldes que escaparam. Eles dizem que não querem que civis sejam atingidos nos tiroteios durante as operações de busca por insurgentes.

No sábado, rebeldes do JEM afirmaram ter assumido o controle da base da força aérea Wadi Saidna, que fica a 16 quilômetros ao norte de Cartum, o subúrbio de Omdurman, nas proximidades do rio Nilo, e de ter entrado na capital.

A situação em Cartum é de apreensão e existem relatos de que confrontos continuam no oeste da cidade, segundo a correspondente da BBC na cidade, Amber Henshaw.

As escolas na capital estão fechadas e os moradores foram alertados para não sair de suas casas até a segurança ser restaurada.

Moradores em Omdurman disseram que houve alguns confrontos na manhã deste domingo.

Uma testemunha disse que as pessoas estavam muito assustadas, o ambiente muito tenso e que eles estavam se sentindo muito desprotegidos. Ela disse que existem temores de que os rebeldes ataquem suas casas em busca de refúgio e esconderijo.

O JEM luta contra o governo há cinco anos, acusando-o de negligenciar a população de Darfur, que não tem origem árabe. Cerca de 200 mil já morreram em Darfur.

Os confrontos deste fim-de-semana ocorrem após dois dias de choques entre rebeldes e soldados na província de Kordofan do Norte, vizinha de Cartum.

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