Genebra, 5 mar (EFE).- O Governo sudanês condenou hoje a decisão adotada ontem pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de ordenar a prisão do presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir por crimes de guerra e lesa-humanidade, e disse que ele continuará em suas funções.

"O processo e a condenação do presidente em exercício (desde 1989) Bashir é contrário a todas as leis internacionais e o Governo sudanês não reconhece a decisão", afirmou em Genebra o embaixador sudanês na ONU, John Ukec Lueth.

Em entrevista coletiva junto com o vice-ministro da Justiças, Abel Baiem Zumrawi, ele disse que o Sudão não faz parte do Estatuto de Roma, sobre o qual se baseia o funcionamento do TPI, e que, portanto, seu Governo não vai acatar a decisão.

Além disso, ambos alegaram que a sentença do TPI está "motivada politicamente" e denunciaram "dois pesos e duas medidas" da comunidade internacional, ao acusar o Sudão e não nações que "durante a Segunda Guerra Mundial cometeram mais horrores sistemáticos do que qualquer outra nação".

Neste caso, eles não referiram especificamente à Alemanha nazista ou a algum outro dos países do eixo, mas, entre outros, aos Estados Unidos, justamente um dos países que derrubaram o nazismo.

Perguntado sobre se Bashir se arriscará a viajar ao exterior para participar de eventos como a próxima cúpula árabe em Doha, o ministro ressaltou que o presidente sudanês "continuará cumprindo suas funções".

"A decisão de viajar ou não ao estrangeiro, ou se irá ele ou outra pessoa em seu lugar, será avaliada caso a caso. Somos conscientes de que alguns países podem cooperar com o TPI, mas os que não são signatários do Estatuto de Roma não estão obrigados a fazê-lo", assinalou.

Eles insistiram em que não acatam a resolução 1593 adotada então pelo Conselho de Segurança da ONU para enviar o conflito de Darfur ao TPI, e que a prisão não deverá ser cumprida, "como muitas outras resoluções do Conselho de Segurança que foram ignoradas". EFE vh/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.