Sudão protesta a embaixadores estrangeiros contra ordem de prisão

Cartum, 5 mar (EFE).- O Ministério de Relações Exteriores do Sudão convocou hoje os embaixadores e encarregados de negócios de países árabes e europeus em Cartum para informá-los sobre seu protesto contra a ordem de prisão do presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir.

EFE |

O secretário do Ministério de Relações Exteriores, Metref Sediq, afirmou em declarações aos jornalistas que o Sudão protestou contra o apoio dos países europeus à prisão determinada ontem pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Sediq afirmou que seu país tratará "com toda a firmeza as delegações estrangeiras no Sudão, que tenham agendas distintas das que tinham antes".

Ele disse ainda que seu Governo "responderá com muita responsabilidade a qualquer tentativa de burlar as leis e utilizar a ordem do TPI como um pretexto para lançar uma guerra" contra o Governo de Bashir, acusado de crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur, no oeste do Sudão.

Depois de se reunir com diplomatas estrangeiros, Sediq afirmou que as autoridades sudanesas perceberam o posicionamento nas forças militares do Chade na fronteira com o Sudão, justamente na região de Darfur.

Ele disse o Sudão "nunca tomará a iniciativa" de atacar essas tropas, mas responderá a qualquer agressão que elas venham a cometer.

Além disso, exigiu do Chade que não permita que os rebeldes de Darfur causem nenhum tipo de caos na fronteira.

Ao mesmo tempo, Metref pediu a realização em breve de uma cúpula árabe sobre o Sudão, que seja distinta do encontro de chefes de Estado da Liga Árabe, previsto para o fim deste mês no Catar, a fim de pressionar para que todos os grupos rebeldes de Darfur participem das negociações de paz.

O conflito de Darfur se iniciou quando dois desses grupos, o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI) e o Movimento para a libertação do Sudão (MLS), entraram em conflito armado contra o Governo do país, em fevereiro de 2003, em protesto contra a pobreza e a marginalização que, segundo eles, sofriam os habitantes desta região.

Desde o início do conflito, cerca de 300 mil pessoas morreram e outros 2,5 milhões se viram obrigadas a abandonar seus lares, segundo cálculos da ONU. EFE az/jp

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