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Sudão: Presidente diz que país não se ajoelhará para colonialistas

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, rejeitou nesta quinta-feira o mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU contra ele. Bashir foi acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na região de Darfur, no oeste do Sudão, na primeira ordem de prisão contra um governante em exercício que a corte emitiu desde que foi criada, em 2002.

BBC Brasil |

Irritado, Bashir disse em uma manifestação de partidários do governo na capital do Sudão, Cartum, nesta quinta-feira, que seu país não vai "se ajoelhar" diante de "colonialistas".

O presidente desafiou estrangeiros a irem ao Sudão para conversar sobre direitos humanos.

"Hoje o Sudão está levantando a sua voz. Nós estamos dizendo aos colonialistas que não estamos sucumbindo. Nós não estamos nos submetendo. Nós não vamos nos ajoelhar. Nós somos um alvo porque nos recusamos à submissão", disse o presidente. "Nós somos leões e nós temos tigres. Nós vamos continuar rejeitando o colonialismo."
O presidente sudanês disse que o TPI, o Conselho de Segurança das Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estão tentando "colonizar novos povos e roubar suas riquezas".

A China, um aliado-chave do Sudão, pediu ao TPI que suspenda o caso, dizendo que há risco de desestabilizar Darfur. Os chineses compram boa parte do petróleo sudanês e vendem armas para o país.

A União Europeia e os Estados Unidos receberam bem a decisão do TPI. O Departamento de Estado disse que "aqueles que cometeram atrocidades devem ser levados à Justiça".

Mas alguns países árabes e africanos disseram que ela vai prejudicar os esforços para a paz em Darfur.

O Egito se disse "muito perturbado" com a decisão judicial e pediu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para adiar a implementação do mandado de prisão contra Bashir.

Organizações de defesa dos direitos humanos elogiaram a decisão do tribunal. A Anistia Internacional pediu que países cumpram o mandado de prisão contra Bashir se o presidente sudanês for visitá-los.

Poucas horas depois do anúncio do indiciamento de Bashir, o governo sudanês expulsou dez organizações assistenciais estrangeiras do país. A ONG Médicos Sem Fronteiras disse que já havia retirado seus funcionários estrangeiros de Darfur mesmo antes do anúncio do indiciamento de Bashir.

Os juízes do TPI decidiram que Bashir deve responder a duas acusações de crimes de guerra e cinco de crimes contra a humanidade. Ele foi acusado de "dirigir ataques contra uma parte importante da população civil de Darfur", disse Laurence Blairon, porta-voz do TPI, que é sediado em Haia, na Holanda.

Segundo ela, os ataques incluíram "assassinato, extermínio, estupro, tortura e deslocamento forçado de um grande número de civis e saque de suas propriedades". Mas os juízes rejeitaram uma acusação de genocídio, dizendo que não havia provas suficientes de "intenção específica" da parte do governo sudanês de destruir grupos étnicos em Darfur.

Blairon disse ainda que o TPI transmitirá o pedido para a prisão e entrega de Bashir o mais depressa possível para o governo sudanês.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 300 mil pessoas morreram e mais de 2,7 milhões tiveram que deixar suas casas por causa do conflito na região, que já dura seis anos.

O conflito em Darfur começou em meados de 2003, quando o governo e milícias de origem árabe lançaram uma campanha contra grupos rebeldes de negros africanos.

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