Presidentes Omar Hassan Al Bashir e sul-sudanês Salva Kiir se encontraram pela 1º vez desde a independência do Sudão do Sul

Os governos de Sudão e o Sudão do Sul anunciaram, neste domingo, em Cartum, a formação de comissões que permitam aos dois países assinar um acordo que solucione as questões pendentes entre ambos e evite uma nova guerra. O presidente do Sudão, Omar Hassan Al Bashir, garantiu em entrevista coletiva conjunta com o governante sul-sudanês, Salva Kiir, que as comissões servirão "para conseguir soluções definitivas e em prazos determinados".

Leia também: Presidente do Sudão do Sul faz primeira visita oficial a Cartum

Presidentes dizem firmar acordo de paz em breve. Questão do petróleo na região também foi discutido
Reuters
Presidentes dizem firmar acordo de paz em breve. Questão do petróleo na região também foi discutido

"Está prevista a assinatura definitiva de acordos sobre as questões pendentes, sejam de segurança, militares, políticas ou econômicos", informou Al Bashir, que acrescentou que a visita de Kiir, a primeira desde a independência do Sudão do Sul em julho , "foi bem-sucedida e frutífera". Já o presidente do Sudão do Sul afirmou que decidiu com Al Bashir "não voltar à guerra". Embora, segundo ele, haja "elementos das duas partes que estão tentando forçar os dois países rumo a um conflito armado". 

Kiir afirmou seu compromisso de resolver todos os assuntos polêmicos, como a demarcação de fronteiras e a disputa sobre a região de Abyei por meio do diálogo, além de ressaltar que a prosperidade dos dois países seja pacífica. Abyei foi palco, nos últimos meses, de confrontos entre o Movimento Popular para a Libertação do Sudão (MPLS) e as tropas de Cartum, principalmente depois que estas últimas ocuparam em 21 de maio esse território rico em petróleo e cuja soberania ainda não foi decidida.

O líder do Sudão do Sul disse que em sua volta a Juba debaterá o que foi estipulado em Cartum com os membros do governo para estudar uma forma de aplicar os acordos. As duas partes firmaram também o compromisso do Sudão de abrir seus portos à exportação de petróleo de Juba, conforme as normas internacionais.

A divisão da receita do petróleo era um dos assuntos polêmicos, já que a produção é feita em jazidas localizadas no Sudão do Sul, enquanto os portos de exportação do petróleo estão situados no Sudão. Outros temas pendentes são demarcação das fronteiras, dívida externa, transações bancárias e transporte, além da disputa sobre a região de Abyei.

Independência

O Sudão do Sul se tornou oficialmente, às 0h01 locais de sábado do dia 9 de julho, o mais novo país do mundo, ao se tornar independente do restante do Sudão. Nas ruas da capital do país, Juba, centenas de pessoas comemoraram a independência logo após o horário oficial da separação do norte. Segundo a BBC, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais.

O país nasceu a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.

*com BBC Brasil e EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.