Sudão do Sul se recusa a tirar tropas de região petrolífera na fronteira

Líder Salva Kiir ameaça reocupar Abyei se ONU não exigir retirada de militares sudaneses; Sudão diz que suspenderá negociações

iG São Paulo |

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, disse nesta quinta-feira que o país não retirará suas tropas da região que entrou em acirrada disputa na fronteira com o Sudão.

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AFP
Exército Popular de Libertação do Sudão em Kordofan do Sul, na fronteira (6/4)
O anúncio foi feito ao líder ao Parlamento em meio à escalada de confrontos na fronteira entre os dois países. O líder acrescentou também que o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS) voltaria a ocupar a área de Abyei , atualmente sob controle de militares sudaneses, se a ONU não pedir imediata retiradas das tropas do Sudão.

Na quarta-feira, tropas do Sudão do Sul tomaram controle da cidade de Hegling, em uma região na fronteira que é rica em petróleo. A cidade é disputada e clamada pelo Sudão, cujas tropas se viram obrigadas a captular sob ataque. Kiir disse que as forças militares do EPLS avançaram na região, depois de ocupar Hegling.

Em meio à crescente tensão, o Sudão anunciou que irá mobilizar seu Exército contra o Sudão do Sul e suspenderá negociações sobre temas pendentes depois de o país vizinho ocupar o campo petrolífero vital para a economia sudanesa.

O Sudão do Sul, que conqusitou sua independência em julho passado, acusa o Sudão de bombardear uma aldeia ao sul da fronteira. Além da fronteira mal demarcada, os dois países enfrentam problemas em relação ao setor petrolífero de propriedade conjunta.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e os Estados Unidos fizeram um apelo aos dois países para que tenham moderação e evitem uma guerra.

Na terça-feira, o EPLS atacou a região disputada de Heglig, onde fica um campo petrolífero responsável por metade da produção sudanesa, de 115 mil barris por dia. “Não há dúvida de que a região de Heglig e os campos petrolíferos estão sob controle do EPLS", disse o porta-voz militar sul-sudanês Philip Aguer, acrescentando que a Força Aérea sudanesa bombardeou posições do EPLS em Heglig e outras áreas.

Autoridades sudanesas temem que os combates afetem a produção petrolífera e piorem a situação entre os países vizinhos.

Arte/ iG
Países disputam área responsável pela terceira maior produção de petróleo da África Subsaariana
*Com Reuters e AP

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