Haia, 4 set (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores do Sudão, Deng Alor, afirmou hoje em Haia que uma possível ordem de prisão contra o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, causará instabilidade política, interferirá nos processos de paz e prolongará a guerra em Darfur.

Em entrevista coletiva após se reunir com seu colega holandês, Maxime Verhagen, o ministro sudanês se referiu à situação de "crise" que seu país viverá se o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, ordenar a detenção de Bashir.

"É a primeira vez em nossa História que um presidente no cargo é acusado e, embora possa me equivocar, penso que especialmente sua ordem de detenção causará definitivamente mais instabilidade interna, interferirá nos processos de paz e prolongará o conflito em Darfur", declarou Alor.

O governante sudanês também explicou que seu Governo está debatendo neste momento a colaboração com o TPI, e antecipou que "esperam tomar uma decisão" antes de o tribunal emitir uma ordem de detenção contra Bashir.

Alor explicou que a acusação contra o presidente do Sudão "gera debates muito sérios" neste país, e que no seio do Governo "há diferenças" sobre a cooperação com o TPI.

Além disso, acrescentou que "o povo no Sudão está preocupado com as conseqüências" da acusação contra Bashir, ao qual o TPI acusou de crimes de guerra supostamente cometidos durante os últimos cinco anos em Darfur, entre eles genocídio.

Verhagen instou o Sudão para "colaborar plenamente com o TPI" e permitir o "acesso da ajuda humanitária" aos campos de refugiados.

Além disso, o ministro holandês afirmou que as preocupações sobre as conseqüências de uma possível detenção de Bashir "não podem ser uma desculpa para continuar matando ou para a impunidade".

O chefe da diplomacia sudanesa se reunirá durante sua viagem de dois dias à Holanda com diferentes membros do Governo e do Parlamento, mas não visitará a sede do Tribunal Penal Internacional.

Perguntado sobre a razão de comparecer a esta Corte, Alor afirmou que "não está no programa e não tem intenção de vê-los".

O promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, anunciou em julho passado a acusação por crimes de guerra e genocídio do presidente sudanês e solicitou aos juízes que emitam uma ordem de detenção para que possa ser capturado e julgado em Haia. EFE mr/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.