Por Regan Doherty e Andrew Heavens DOHA/CARTUM (Reuters) - O presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, assinou na terça-feira um cessar-fogo com o principal grupo rebelde de Darfur, o que pode levar a um acordo de paz mais amplo, segundo uma testemunha da Reuters presente à cerimônia.

O emir do Qatar, xeque Hamad bin Khalifa al Thani, cujo país mediou o acordo, disse que o Qatar irá contribuir com 1 bilhão de dólares para um fundo destinado à reconstrução do Sudão.

Cartum poderá oferecer cargos públicos ao mais poderoso grupo rebelde de Darfur, como parte de um futuro acordo de paz para acabar com a guerra no oeste sudanês, segundo documentos que estabelecem os termos das negociações, aos quais a Reuters teve acesso.

Esse é o primeiro sinal concreto de que o governo de Bashir está disposto a compartilhar o poder com seus inimigos de Darfur -- algo que pode frustrar atuais aliados na região e complicar os preparativos para as eleições de abril.

Os rebeldes do Movimento de Justiça e Igualdade (MJI) minimizaram a possibilidade de um tratado final de paz até 15 de março, conforme estipulado no acordo preliminar que foi assinado em Doha, capital do Qatar.

"Estamos trabalhando para cumprir o prazo de 15 de março, mas isso em si não é uma exigência", disse o negociador-chefe do MJI, Ahmed Tugud, que posteriormente esteve entre os signatários do cessar-fogo.

"Estamos tentando pelo menos avançar. Já faz muito tempo desde que tivemos um diálogo direto (com o governo). Acreditamos que é a hora certa para começar", afirmou à Reuters.

Outra fonte dos rebeldes disse que o prazo é irreal, e os rebeldes relataram novos incidentes de violência em Darfur, dois dias depois de uma versão inicial do acordo preliminar ser redigida no Chade.

O acordo inicial incluía um cessar-fogo, planos para integrar o MJI ao Exército sudanês e a promessa de obter um acordo final até 15 de março. O evento de terça-feira foi apresentado como a "assinatura oficial".

Segundo uma cópia em francês do texto, o MJI e o governo concordam com "a participação do Movimento Justiça e Igualdade em todos os níveis de governo (...), de maneira a ser definida subsequentemente entre as duas partes."

Faz um ano que o governo e o MJI se reuniram em Doha para discutir medidas de construção de confiança mútua, que abririam caminho para o acordo preliminar e para negociações completas de paz.

O processo no entanto parou depois que o MJI acusou Cartum de atacar suas posições, dias depois do cessar-fogo, e de descumprir medidas acordadas, entre as quais a libertação de presos do MJI.

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