TRÍPOLI - O Ministério de Assuntos Exteriores do Sudão afirmou nesta quinta-feira que o país está disposto a receber novos parceiros humanitários para substituir as ONGs expulsas da região de Darfur, informou a agência oficial líbia Jana.

Em comunicado divulgado pelo chanceler sudanês, Deng Alor, que chegou hoje à Líbia junto com o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, o governo de Cartum "está disposto a acolher novos parceiros, segundo o acordo entre Sudão e Nações Unidas".

O comunicado não explicita os detalhes desse acordo, nem as organizações humanitárias às quais se refere, tampouco de quais países viriam as mesmas.

Após a ordem de detenção emitida contra o presidente do Sudão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) no último dia 4, Cartum expulsou 13 organizações humanitárias internacionais que trabalhavam na região de Darfur.

Bashir, que chegou nesta quinta-feira à cidade líbia de Syrte em sua terceira viagem ao exterior desde a decisão do TPI, foi recebido pelo líder líbio Muammar Kadafi, atual ocupante da presidência rotativa da União Africana (UA).

Segundo comunicado divulgado pela agência "Jana", Bashir e Kadafi concordaram em "trabalhar juntos para preencher o vazio" humanitário existente em Darfur.

A ONU diz que 300 mil pessoas já morreram em decorrência do conflito em Darfur, que começou em 2003 e deixou 2,7 milhões pessoas deslocadas e refugiadas até o momento.

Ainda de acordo com o texto, os dois dirigentes expressaram seu "apoio ao diálogo político de Doha" entre o governo sudanês e os movimentos rebeldes da região ocidental do país.

Bashir foi recebido em Syrte pelo primeiro-ministro líbio, Al Baghdadi Ali Al-Mahmudi. A Líbia é mais uma etapa de uma viagem do presidente sudanês por países da região, como Eritréia e Egito. Nenhuma dessas nações é signatária do tratado que estabeleceu a criação do TPI.


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