Sucessão de atentados faz Iraque ter dia mais violento do ano

Bagdá, 19 ago (EFE).- Pelo menos 95 pessoas morreram hoje e 597 ficaram feridas em uma sucessão de explosões e ataques a bombas em Bagdá, na maior série de atentados registrada no país este ano.

EFE |

As Forças de Segurança iraquianas acusaram a rede terrorista Al Qaeda de ter orquestrado esta onda de violência.

Esta foi a mais violenta série de atentados em 2009 e ganha relevância especial por ter acontecido depois da retirada dos Estados Unidos das cidades iraquianas, em 30 de junho, e depois que o Governo do Iraque decidiu, no último dia 8, começar a remover as barreiras de concreto da capital.

Esses blocos dividiam Bagdá em várias regiões e serviam para controlar a movimentação de carros e dificultar a instalação de carros-bomba, e o Governo decidiu retirá-los devido à melhora das condições de segurança na cidade.

Este ano houve vários ataques, alguns deles com só uma explosão e outros de detonações simultâneas, e que deixaram dezenas de mortos, mas hoje foi o dia mais violento de 2009 no país.

Em entrevista à emissora de televisão "Al-Iraquiya", o porta-voz do Plano de Segurança para Bagdá, general Qassim Atta al-Moussawi, acusou de terem orquestrado os ataques a Al Qaeda e seguidores do partido Baath, no poder no Iraque durante a ditadura de Saddam Hussein.

"A aliança entre a organização Al Qaeda e os grupelhos do Baath está por trás desses ataques", afirmou o porta-voz.

Moussawi acrescentou que as forças de segurança realizam uma investigação para descobrir as causas desta falha registrada no âmbito da segurança.

O pior dos ataques ocorreu após a explosão de um caminhão-bomba colocado em frente do Ministério Assuntos Exteriores, em uma ação que matou pelo menos 47 pessoas e feriu mais de 200.

O ministério fica perto da fortificada Zona Verde de Bagdá, que conta com um esquema de segurança rígido, já que abriga prédios do Governo e várias Embaixadas, entre elas a dos Estados Unidos.

Outro atentado similar ocorreu em frente ao Ministério das Finanças, na zona de Bab al-Muazzam, no centro de Bagdá, onde 28 pessoas morreram e outras 180 ficaram feridas.

Um tenente-coronel da Polícia, que não quis se identificar, disse à Agência Efe que esta onda de atentados é para enviar uma mensagem dos grupos armados que informa que ainda estão presentes de que podem cumprir seus planos de violência quando quiserem.

Para ele, o atentado que aconteceu perto do Ministério de Exteriores significa que houve uma distração nas tarefas de vigilância ou que os agressores tinham a cumplicidade de alguém, já que no local há muitos controles policiais.

O agente disse que era provável que o motorista do caminhão-bomba que explodiu no local tivesse a documentação necessária para atravessar sem problemas os postos de controle.

Outros ataques ocorreram de forma quase simultânea em bairros do leste e oeste da capital iraquiana, e deixaram dezenas de vítimas, entre mortos e feridos.

Uma testemunha, identificada como Alaa Abdul Karim, afirmou à Efe que a onda de explosões que atingiu a capital levantou colunas de fumaça preta e poeira.

"Hoje foi um dia negro para Bagdá. Onde estão os corpos de segurança?", questionou Abdul Karim, que acrescentou que após os atentados as ruas ficaram vazias.

Após as explosões, as forças de segurança adotaram medidas de segurança rígidas e fecharam algumas avenidas para permitir a passagem das ambulâncias e da Polícia e interceptar possíveis terroristas.

O chefe do departamento de luta antiterrorista, general Jihad al-Jaberi, revelou que os agentes conseguiram desativar a carga de uma tonelada de explosivos que estava em um caminhão de grande porte no bairro de Al-Salihiya, perto do hospital Ibn al-Bitar, também próximo ao Ministério de Exteriores.

As autoridades de segurança de Bagdá informaram hoje em nota que receberam informações dos serviços secretos que indicam a presença de mais carros-bomba na cidade.

O comunicado explica que os agentes de segurança conseguiram deter dois supostos "umara" (chefes) da Al Qaeda quando dirigiam um automóvel carregado com explosivos na área de Al-Mansur, no oeste de Bagdá. EFE am/db

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