Submarinos e helicópteros são destaque de acordos firmados por Lula e Sarkozy

RIO DE JANEIRO - Os acordos que permitirão ao Brasil construir cinco submarinos, 50 helicópteros, um estaleiro militar e uma base naval com tecnologia francesa se destacaram entre os cerca de dez tratados assinados hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy.

EFE |

Um dos submarinos construídos no Brasil por empresas francesas contará com propulsão nuclear, mas esta tecnologia não será oferecida pela França, mas pela Marinha de Guerra brasileira.

Os acordos de transferência tecnológica na área militar foram assinados no Rio de Janeiro durante a visita oficial ao Brasil realizada por Sarkozy, e na qual as duas nações reforçaram sua associação estratégica.

Os dois líderes também assinaram um plano de ação para guiar essa associação, assim como acordos na área espacial, para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia, o combate à exploração ilegal de ouro nesta região e programas de ensino profissionalizante.

Também foi assinado um convênio de cooperação na área nuclear e outro pelo qual os dois países criarão um centro de estudos sobre a biodiversidade, com o qual pretendem aproveitar as potencialidades da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e que compartilham graças à Guiana Francesa, território ultramarino da França.

Segundo Lula, o Brasil optou pela firma dos acordos militares com a França porque o país europeu "não só ofereceu os equipamentos em venda, mas também se comprometeu a construí-los no país e a transferir a tecnologia".

"Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político", disse Sarkozy.

O principal dos acordos é o que permitirá ao Brasil construir cinco submarinos convencionais do tipo Scorpene, um dos quais terão armamento convencional, mas contará com propulsão nuclear.

A França ajudará o Brasil a adaptar o reator nuclear no casco de seu submarino, mas o desenvolvimento da tecnologia será de responsabilidade da Marinha brasileira, que há anos tem um projeto para construir um submarino nuclear.

Os acordos também prevêem assistência francesa para a "concepção e construção de um estaleiro de fabricação e manutenção desses submarinos, e de uma base naval capaz de abrigá-los".

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a França financiará a instalação de uma unidade do estaleiro privado DCNS em um porto do Rio de Janeiro, no qual serão construídas as embarcações.

Outro acordo, que exigirá um investimento de 1,899 bilhão de euros, prevê a fabricação no Brasil de 50 helicópteros artilhados encomendados pelas Forças Armadas brasileiras.

As aeronaves serão fabricadas pela Helibras, uma subsidiária da empresa francesa Eurocopter com unidade em Minas Gerais e que produzia, principalmente, aparelhos civis.

Além da transferência de tecnologia francesa para a produção dos helicópteros, o acordo também prevê que as partes das aeronaves sejam oferecidas por empresas brasileiras.

No plano de ação assinado hoje, os dois presidentes também asseguram que a cooperação militar poderá ser estendida para modernizar o Exército brasileiro, o desenvolvimento de um veículo terrestre sem piloto, a digitalização dos campos de operações e o desenvolvimento de uma rede de vigilância territorial.

Sarkozy acrescentou que a França também pretende oferecer os cerca de 30 caças militares que o Brasil pretende comprar.

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