Submarino francês faz buscas por caixa-preta de AF 447

Por Gerard Bon PARIS (Reuters) - Um submarino francês equipado com equipamento de sonar avançado começou nesta quarta-feira a procurar as caixas-pretas do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo durante a rota Rio-Paris, informou a França.

Reuters |

O submarino nuclear Émeraude foi enviado na semana passada ao local das buscas para ajudar a achar as caixas-pretas, que podem conter informações cruciais para explicar o desastre. As autoridades acreditam que as peças estão no fundo do mar, que tem profundidade na área de até 3.000 metros.

"O Émeraude vai começar sua patrulha em uma área de buscas inicial de 36 por 36 quilômetros", disse Christophe Prazuck, porta-voz dos militares franceses. Segundo ele, a área de buscas pode ser modificada diariamente.

Se as caixas-pretas forem localizadas, submarinos-robôs não-tripulados a bordo do navio de exploração e pesquisa francês Pourquoi Pas, que também está ajudando nas buscas, poderão ser usados para resgatar as peças.

Prazuck alertou que a busca no fundo do mar, com correntes marítimas fortes, será complicada e pode levar semanas.

"Até agora, as busca das vítimas e dos escombros têm sido da ordem de dias ou de uma semana. Neste caso, no mínimo, será da ordem de semanas ou meses", disse ele à rede de televisão LCI.

As causas do acidente permanecem sem explicação. Segundo investigadores, uma falha nos sensores de velocidade por ter sido preponderante na tragédia, mas outras hipóteses não são descartadas.

O site da revista L'Express informou nesta quarta-feira que serviços de informação franceses disseram que havia dois nomes suspeitos entre os passageiros a bordo do voo.

O Ministério do Interior da França informou, no entanto, que os dois passageiros tinham uma suspeita relacionada a seus nomes, mas que investigações posteriores mostraram que eles não representavam preocupação.

As autoridades francesas afirmaram diversas vezes que a hipótese de um atentado contra o voo da Air France 447 do Rio de Janeiro a Paris não estava totalmente descartada, mesmo sendo pouco provável.

Oficiais franceses ressaltaram também que nenhuma reivindicação foi registrada.

"SITUAÇÃO COMPLEXA"

Na área de buscas, onde várias partes da aeronave já foram resgatadas, incluindo uma grande parte da cauda, as equipes continuam a procura por corpos e mais destroços.

A Marinha da França tem ainda a fragata Ventose, com um helicóptero a bordo e que já resgatou alguns corpos do mar, e o navio Mistral participando das buscas, além de três aviões, totalizando 400 militares franceses.

Segundo a Marinha brasileira, há ainda dois rebocadores de alto-mar que foram contratados pelo governo francês para auxiliar. Do lado brasileiro, são 12 aeronaves e cinco navios.

Prazuck lembrou que a localização da caixa-preta do Boeing 737 que caiu em Sharm el Sheikh, no Egito, em 2004, demorou duas semanas, apesar das condições terem sido muito mais favoráveis.

"A aeronave caiu muito próxima da costa, não havia dúvida sobre onde tinha ocorrido o acidente, e levou 15 dias para recuperarmos a caixa-preta", disse.

"Agora o acidente aconteceu a cerca de 1.000 quilômetros da costa. A situação é muito complexa."

O Airbus A330 da Air France que operava o voo AF 447 caiu no mar há mais de uma semana após enfrentar uma forte tempestade quatro horas depois de decolar do Rio de Janeiro.

As equipes de busca da Marinha e da Força Aérea Brasileira (FAB) já resgataram 41 corpos do mar, dos quais 16 foram levados ao arquipélago de Fernando de Noronha para uma perícia inicial. Esses corpos serão levados ainda nesta quarta-feira para Recife, onde serão identificados.

Apesar de destroços da aeronave resgatados, encontrar as caixas-pretas é crucial para estabelecer as causas do acidente.

Antes de cair, o avião enviou 24 mensagens automáticas em seus últimos minutos de voo no dia 31 de maio, informando uma série de falhas técnicas.

Os sensores de velocidade do avião se tornaram o foco das investigações após as mensagens terem mostrado que esses equipamentos forneceram dados inconsistentes para os pilotos.

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