Steve Schmidt, a mão forte por trás da campanha de John McCain

Teresa Bouza. Washington, 4 set (EFE) - Quando, no fim de semana passado, a iminência do furacão Gustav colocou os republicanos perante o dilema de o que fazer com sua convenção, Steve Schmidt foi um dos principais responsáveis por decidir qual mensagem lançar. Os republicanos anunciaram que suspenderiam grande parte das atividades festivas que cercam a convenção e considerariam encurtar ou cancelar o evento se Gustav se transformasse em uma tragédia humanitária. A imagem contribuiu para reforçar o lema central da campanha de McCain para a Presidência dos Estados Unidos: o senador pelo Arizona coloca os interesses da nação à frente dos seus próprios. Essa é a mensagem que foi repetida com marcada insistência nos últimos dois meses pelos subordinados de Schmidt, o homem que desde julho dirige a estratégia diária de comunicação da campanha de McCain. Schmidt tem só uma pessoa acima dele, Rick Davis, o diretor-geral da campanha, responsável pela convenção realizada esta semana em Minnesota e por outros projetos a longo prazo. Os outros membros da campanha prestam contas ao temperamental estrategista chefe de McCain. Nascido em 1970 em North Plainfield, Nova Jersey, o sargento Schmidt, como é chamado por McCain, é um protegido de Karl Rove, ex-braço direito do atual inquilino da Casa Branca, George W. Bush, e arquiteto de suas duas vitórias eleitorais.

EFE |

Schmidt foi membro da equipe de reeleição de Bush em 2004 e impulsionou também a reeleição do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, em 2006.

Com pouco mais de 1,80 metro e 100 quilos, Schmidt chama a atenção por sua cabeça raspada. Esse distintivo traço de sua aparência e o rápido e certeiro ataque a seus adversários políticos lhe valeram o sobrenome de "a bala".

O domínio que tem do ataque político ficou patente em 2004, quando ajudou a orquestrar uma implacável campanha contra o então candidato democrata, John Kerry, a quem apresentou como um "flip-flopper" ou pessoa que muda constantemente de opinião.

Brian Jones, um amigo de infância de Schmidt que trabalhou com ele na reeleição de Bush, lembrou, em julho, ao jornal "The Wall Street Journal" como tinha que mencionar a opinião em mudança de Kerry em cada uma de suas respostas à imprensa.

"As pessoas se perguntavam quantas vezes podia repetir a mesma coisa", disse Jones na citada entrevista.

No entanto, os ataques funcionaram e Schmidt voltou a recorrer a uma fórmula similar neste ciclo eleitoral.

Antes de Schmidt entrar na campanha de McCain, o candidato presidencial democrata Barack Obama tinha uma confortável vantagem frente ao republicano, que protagonizou um dos momentos mais patéticos de sua campanha em 3 de junho, o mesmo dia em que um triunfal Obama ganhou a vaga democrata à Presidência dos EUA.

Nessa noite, que marcou o início da campanha geral, Obama fez um discurso entusiasmado para 17 mil seguidores. McCain, ao contrário, compareceu perante 600 pessoas em um pronunciamento qualificado de medíocre pela imprensa.

Schmidt, que até julho tinha assessorado de maneira informal McCain, reconheceu ter pensado essa noite que era necessário resgatar o candidato republicano do que parecia ser um potencial desastre.

Dias mais tarde, ele se reuniu com o senador e pouco depois assumiu as rédeas do dia-a-dia da campanha.

Desde então, Schmidt e sua equipe insistiram em duas idéias: Obama e sua falta de experiência são um grande risco. McCain está acima das lutas partidárias e coloca o país acima de tudo.

Além disso, intensificaram os ataques contra o "presidenciável" democrata com uma implacável campanha de anúncios nos quais Obama é apresentado como uma simples celebridade, alguém que não está pronto para enfrentar os desafios da liderança.

A estratégia deu certo: desde julho, McCain reduziu a diferença frente ao adversário, e agora pisa nos calcanhares do senador por Illinois, uma evolução surpreendente dada a vantagem com a qual os democratas partem em um ano como este, no qual a popularidade do Governo republicano está no chão e a economia não levanta vôo. EFE tb/db

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