Steinmeier desafia Merkel, a 100 dias de eleições e com tudo contra ele

Gemma Casadevall. Berlim, 14 jun (EFE).- O ministro de Exteriores alemão e candidato social-democrata, Frank-Walter Steinmeier, convocou hoje seus partidários a lutarem pela recuperação do poder político de seu partido na Alemanha, apesar de as pesquisas apontarem sua desvantagem, a 100 dias das eleições gerais contra a chefe de Governo, Angela Merkel Queremos e vamos ganhar no dia 27 de setembro, disse Steinmeier, no congresso eleitoral do Partido Social-Democrata (SPD), uma semana depois que as eleições europeias afundaram o partido com o pior resultado de sua história, 20,8%.

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"Foi um mal domingo, uma porcaria", admitiu Steinmeier, mas "uma coisa são as eleições europeias e outra são eleições ao Bundestag".

"O SPD foi responsável por grandes conquistas sociais na história da Alemanha", enfatizou o candidato, "desde conquistas sindicais à luta atual para impedir que a crise mundial arraste empresas". O SPD "buscou investidores para a Opel", disse, não porque acreditava que era preciso salvar qualquer empresa, mas pela convicção de que "o trabalho é melhor que a insolvência".

Steinmeier apelou para o legado dos chanceleres do partido, de Willy Brandt a Gerhard Schröder. "Que ninguém espere que eu abandone suas reformas. Seria preciso ver onde a Alemanha estaria se não fosse por essas medidas", disse, sobre o programa de Schröder, cujos cortes sociais foram encarados por parte do SPD como uma traição às essências da social-democracia.

"Quero ser chanceler de todos os alemães, não membro do Governo", disse Steinmeier, lembrando o lema que levou Schröder à Chancelaria, em 1999. Disse ainda que o SPD é "o partido do novo centro".

O ministro demonstrou confiança em uma vitória com 25% dos votos para o SPD que, por enquanto, não é apontada por nenhuma pesquisa, enquanto a previsão é de que Merkel volte a uma coalizão com seus aliados naturais, os liberais.

Seus partidários responderam com dez minutos de aplauso. Seu programa foi aprovado em abril pela Presidência e é baseado em questões sociais, na família e em incentivo à educação.

Se ganhar as eleições, o SPD prometeu um corte mínimo no Imposto de Renda, dos atuais 14% para 10% e um incremento máximo de 45% a 47%.

O partido não apresentou nenhum outro candidato além de Steinmeier, apesar de que desde que foi designado para representá-lo nas eleições, há oito meses, o SPD não parou de cair nas pesquisas de intenção de voto.

Diante disto, Steinmeier e seus parceiros lembraram as eleições de 2002 e 2005, quando as pesquisas eram tão adversas quanto agora, a três meses do pleito, mas mesmo assim houve o empate com a União Democrata-Cristã e sua aliada União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU).

Em 2002, Schröder foi reeleito com uma vantagem mínima contra o conservador Edmund Stoiber. Em 2005, em seu pior momento, recuperou terreno até ficar um pouco abaixo da então candidata Merkel.

O SPD não é tradicionalmente combativo como Schröder, capaz de animar o eleitorado em campanhas.

Steinmeier, ministro da Chancelaria, assim como Schröder, lembra o ex-chanceler nos gestos e até na voz, mas não tem a garra de seu mentor político. Apenas 28% dos cidadãos o consideram o melhor candidato, em comparação direta com Merkel, que tem 58% de aprovação.

Na posição de vice-chanceler de Merkel ganhou popularidade com os eleitores, mas até agora não conseguiu conter a crise no SPD, por falta de receita, anterior à recessão.

Desde a derrota para Merkel, o SPD teve uma crise de direção depois da outra, marcada por quatro trocas em sua Presidência -Franz Müntefering, Matthias Platzeck, Kurt Beck e, agora, novamente Müntefering, outro homem de Schröder, como Steinmeier. EFE gc/pd

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