Sri Lanka lembra independência com 52 civis mortos, segundo ONU

Diego A. Agúndez.

EFE |

Nova Déli, 4 fev (EFE).- A ONU afirmou hoje que 52 civis morreram nos combates do norte do Sri Lanka, país que lembra hoje sua independência em meio a uma violenta ofensiva do Exército contra a debilitada guerrilha separatista tâmil.

"Pelo menos 52 civis morreram em ataques ontem à noite no setor de Suranthapuram. Não sabemos mais detalhes", disse à Agência Efe por telefone o porta-voz da ONU no Sri Lanka, Gordon Weiss.

Weiss afirmou também que houve, no domingo, um ataque com bombas de fragmentação contra o hospital de Puthukudiyirippu, e está perto de várias áreas de combate entre o Exército e os LTTE (Tigres de Libertação da Pátria Tâmil).

Por enquanto, não se sabe se houve vítimas neste último ataque, enquanto nos registrados até segunda-feira, segundo dados da Cruz Vermelha, pelo menos 12 civis morreram e outros 30 ficaram feridos e as bombas danificaram cozinhas, a igreja, o pavilhão feminino e infantil e a sala de operações do hospital.

"Achamos que os civis começaram a abandonar o centro em busca de um lugar seguro. Estamos à espera de saber se há mais mortos neste último ataque, como foi cogitado", disse à Efe, também por telefone, a porta-voz da Cruz Vermelha, Sarasi Wijeratne.

Embora ONU e Cruz Vermelha apontem o Exército como responsável, um porta-voz militar negou à Efe que os ataques contra o hospital tenham sido obra da aviação cingalesa, em linha com a versão oficial do Governo, que diz não atuar contra alvos civis.

"Nunca usamos nem temos bombas de fragmentação. Sabemos que viola normas internacionais -disse à agência Efe o porta-voz Udaya Nanayakkara.

Em relação a Suranthapuram, há combates contra a guerrilha. "Em todo caso, os mortos seriam guerrilheiros vestidos de civis".

No domingo expirou um prazo de 48 horas fixado pelo Governo para que os civis que continuam em áreas dos LTTE entrassem em uma zona de segurança como "única forma" de ficar a salvo durante os combates que entre o Exército e a guerrilha.

Desde o final de 2007, o Exército do Sri Lanka vem fazendo uma poderosa ofensiva que limitou a guerrilha em suas fortificações principais e tomou a maior parte de seu território, até encurralá-la em uma área selvagem de cerca de 200 quilômetros quadrados no nordeste da ilha.

O presidente cingalês, Mahinda Rajapaksa, gabou-se desse avanço ao assistir, hoje, ao desfile militar realizado na capital Colombo pelo aniversário da independência do país, que se desligou em 1948 do Império Britânico.

"Acredito que em uns poucos dias derrotaremos decisivamente a força terrorista que muitos diziam que era invencível", afirmou Rajapaksa em seu discurso aos presentes ao desfile, entre eles os principais dirigentes militares.

"Conseguimos derrotar quase totalmente as covardes forças do terror que mantinham atemorizada nossa nação. Nossas heróicas Forças Armadas nos deram a oportunidade de celebrar o aniversário da Independência livres da sombra do terrorismo", acrescentou.

Seu Governo enfrenta, no entanto, uma crescente pressão internacional para respeitar a população civil presa na área de combate, que o Sri Lanka estima em 120 mil pessoas contra o número de 250 mil calculadas pelas organizações internacionais.

Desde o início, em 1983, da guerra aberta pela guerrilha tâmil contra o Estado, quase 100 mil pessoas morreram na ilha do Índico, vítimas do conflito étnico, e centenas de milhares se encontram refugiadas.

Diante da precária situação da guerrilha tâmil, Estados Unidos, a União Europeia, o Japão e a Noruega exigiram ontem que os rebeldes a deponham as armas e negociem com o Governo o fim da guerra civil, para evitar assim mais derramamento de sangue.

Os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil mantém sob seu controle os pequenos núcleos urbanos de Visuamadu e Puthukudiyirippu, após perderem, em janeiro, o estratégico Passo do Elefante, a cidade de Kilinochchi -sua capital de fato-, e a cidade de Mullaitivu, que era seu último grande reduto.

Os "tigres" tâmeis tentam proclamar um estado independente no norte e no leste da ilha, onde sua etnia tem maior presença em relação à cingalesa, majoritária no país. EFE daa/jp

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