Sri Lanka ignora comunidade internacional e derrota guerrilha tâmil

Agus Morales. Nova Délhi, 18 mai (EFE).- O Governo do Sri Lanka alcançou hoje seu objetivo de derrotar os separatistas tâmeis depois de mais de 25 anos de conflito, sem que a pressão exercida pela comunidade internacional tenha servido para conter uma ofensiva que teve um alto custo para a população civil.

EFE |

O Exército, que superou a guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, em inglês) e matou todos os seus líderes, anunciou que a vitória aconteceu em Colombo, região de maioria cingalesa.

Segundo dados da ONU, 6.500 civis morreram devido ao fogo cruzado e aos bombardeios do Exército do Sri Lanka desde o início do ano, quando teve início a ofensiva contra os LTTE.

O secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, visitará o Sri Lanka nos próximos dias 23 e 24 com o objetivo de amenizar o sofrimento dos civis da ilha.

O Conselho de Segurança da ONU emitiu duas declarações em menos de um mês na tentativa de proteger os civis, vítimas dos combates.

No último comunicado, tentava convencer o Governo cingalês a cumprir seu compromisso de não usar armamento pesado contra o último reduto dos LTTE.

Entretanto, Rússia e China, membros do conselho, consideravam que o conflito no Sri Lanka era uma questão interna e que não supunha uma ameaça para a paz internacional. Por isso, se opuseram à pressão ao Governo de Colombo.

Já a União Europeia (UE) pediu hoje uma investigação internacional independente para averiguar se houve violação de direitos humanos durante os combates.

"Os responsáveis devem ser levados à Justiça", declararam os ministros do bloco europeu.

Os ministros de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, e da França, Bernard Kouchner, já tentaram, em vão, conseguir do Governo do Sri Lanka uma trégua para permitir a saída de civis da zona de combates, em uma visita à ilha no final de abril.

Um integrante de uma organização humanitária presente no país disse à Agência Efe que o Governo local estava decidido a não parar até liquidar os LTTE, apesar das visitas dos diplomatas.

A fonte lembrou que a vizinha Índia, país-chave na região, é contra os LTTE desde que, em 1991, o então primeiro-ministro Rajiv Gandhi morreu em um atentado suicida cometido pela guerrilha na região de Tamil Nadu, na região sul indiana.

Líderes do indiano Partido do Congresso insistiram em tachar os LTTE de "terroristas" durante os últimos anos, apesar de o Governo do país ter expressado nas últimas semanas sua "preocupação" com os civis afetados pelo conflito.

Os analistas na Índia previam que o ataque final à guerrilha no Sri Lanka coincidiria com o final do processo eleitoral indiano, onde o partido da viúva de Rajiv, Sonia Gandhi, foi eleito.

A Índia se envolveu na guerra em 1987, quando posicionou tropas de paz no norte da ilha e assinou um acordo com o Sri Lanka, que se comprometeu a devolver a autonomia às províncias, entre outras concessões.

Depois da notícia de que o LTTE tinha sido derrotado, a Índia assegurou que "trabalhará com o povo e o Governo do Sri Lanka para dar ajuda aos atingidos por este conflito e para reabilitar todos os deslocados", segundo um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores.

Na nota, o Executivo indiano considerou que agora chegou "o momento de tratar das raízes" do conflito e empreender "passos políticos, dentro do marco da Constituição, rumo à devolução de poderes" a todas as comunidades do país, "incluindo a tâmil".

A majoritária etnia cingalesa, de fé budista, domina o Sri Lanka desde a independência da ilha. O nascimento dos LTTE veio com o ressentimento da minoria tâmil por decisões governamentais como a imposição do cingalês como língua oficial na década de 1950.

Um país ativo na tentativa de resolver o conflito, a Noruega, não voltou a intervir desde que trabalhou para estabelecer as negociações de paz entre ambos os grupos após a assinatura do cessar-fogo em 2002, o qual não foi respeitado nem pelo Governo, nem pelos LTTE.

Com as mãos livres e aproveitando as poucas implicações estratégicas em escala mundial deste confronto, o Sri Lanka renunciou ao diálogo em outubro de 2006 e, agora, liquida o conflito. EFE amp/pg/bba

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