Sri Lanka declara vitória final contra a guerrilha dos tigres tâmeis

O Exército do Sri Lanka declarou nesta segunda-feira vitória definitiva no conflito de quase quatro décadas contras os tigres tâmeis e anunciou a morte dos principais chefes desta guerrilha separatista, considerada há alguns anos a mais poderosa do mundo.

AFP |

"Todas as operações militares chegaram ao fim com a captura do último reduto", afirmou o comandante do Exército cingalês, o tenente-general Sarath Fonseka, depois que suas tropas se apoderaram da última faixa de território sob controle rebelde.

"Declaramos todo o país livre do terrorismo. Mais de 250 corpos de terroristas estão espalhados neste último reduto", completou.

O comunicado marca o fim de um dos conflitos mais antigos e mais brutais da Ásia, que provocou mais de 700.000 mortes em combates, atentados e assassinatos.

Os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE) surgiram no início dos anos 70 e uma década mais tarde iniciaram uma guerra por todos os meios para obter um Estado tâmil independente.

A declaração de vitória foi feita pouco depois de fontes militares, que pediram anonimato, terem anunciado a morte do líder supremo dos tigres, Velupillai Prabhakaran, na última ofensiva.

O Exército havia anunciado mais cedo a morte na mesma região dos dois sucessores do líder dos separatistas tâmeis. Velupillai Prabhakaran fundou e comandava desde 1972 os LTTE.

Segundo fontes militars, Prabhakaran faleceu quando tentava fugir do reduto separatista ao lado dos dois auxiliares.

Uma fonte da presidência cingalesa declarou à AFP que Velupillai Prabhakaran morreu nesta segunda-feira e que o presidente do país, Mahinda Rajapakse, fará um pronunciamento a respeito nas próximas horas.

Segundo fontes militares, Prabhakaran, que não era visto em público há 18 meses, tentou escapar do último reduto tâmil em um comboio formado por uma caminhonete e uma ambulância, mas caiu em uma emboscada.

O Exército já havia encontrado o corpo do filho do líder rebelde tâmil, Charles Anthony, de 24 anos, no território em que os rebeldes estavam encurralados.

Também morreram o líder da ala política do grupo, B. Nadesan, e o chefe do secretariado de paz do LTTE, S. Puideevan.

"Com a morte de Prabhakaran e seus dois auxiliares, Pottu Amman e Soosai, eliminamos toda a direção dos terroristas", afirmou o canal de televisão do governo ITN.

Os Tigres Tâmeis anunciaram no domingo o abandono dos combates contra o Exército, admitindo assim a derrota após 37 anos de conflito.

Na terça-feira, o presidente Rahapakse deve proclamar oficialmente o fim de 37 anos de guerra separatista no Parlamento.

A vitória do governo cingalês aconteceu ao custo de milhares de vidas inocentes em bombardeios indiscriminados, segundo a ONU. Respresentantes da defesa dos direitos humanos querem uma investigação por crimes de guerra.

A Cruz Vermelha, única organização neutral autorizada a entrar na zona de conflito, descreveu uma "catástrofe humanitária inimaginável".

A União Europeia (UE) pediu a abertura de um processo político, com a inclusão de todas as partes, com base no consenso, igualdade e Estado de direito.

Os separatistas tâmeis foram uma das guerrilhas mais temidas e mais bem organizadas do mundo e chegaram a comandar de fato um mini Estado que incluía um terço do país, até que há dois anos o Exército iniciou uma vasta ofensiva.

Segundo analistas, a guerra no Sri Lanka, antigo Ceilão, com população de 20 milhões de pessoas, sendo 75% de cingaleses budistas, se explica pelo ressentimento que estes sentem em relação à minoria tâmil, favorecida pela antiga colônia britânica até a independência de 4 de fevereiro de 1948.

aj/fp

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