Sotomayor fica a um passo de virar a 1ª juíza hispânica do Supremo americano

María Peña. Washington, 28 jul (EFE).- A juíza Sonia Sotomayor, de origem porto-riquenha, ficou hoje a um passo de virar a primeira hispânica e a terceira mulher a entrar para a Suprema Corte dos Estados Unidos, já que a Comissão de Justiça do Senado recomendou que sua nomeação seja votada no plenário da casa na próxima semana.

EFE |

Com 13 votos a favor e seis contra, a Comissão aprovou a indicação dela à vaga do Supremo que antes era ocupada pelo juiz David Souter, que se aposentou no mês passado.

Como os democratas têm 58 das 100 cadeiras no Senado, além do apoio quase certo de dois independentes, só uma surpresa impedirá a confirmação de Sotomayor no cargo antes do recesso que começa em 7 de agosto, preveem os analistas.

Antes da votação de hoje, tanto democratas como republicanos elogiaram durante duas horas a ascensão social de Sotomayor e sua trajetória jurídica de 17 anos. Mas, exteriorizando as diferenças partidárias, os legisladores divergiram sobre a nomeação da magistrada.

Os republicanos se mostraram insatisfeitos com as explicações que Sotomayor deu durante as audiências de confirmação realizadas entre 13 e 16 de julho.

Apesar de terem elogiado a vida e a obra de Sotomayor, nascida num bairro pobre de Nova York e formada em universidades renomadas, os opositores do Governo temem que a juíza não consiga superar seus "preconceitos" na hora de tomar decisões.

Jeff Sessions, o republicano de maior nível na Comissão, e outros senadores da legenda, como Chuck Grassley e Orrin Hatch, voltaram a comentar a polêmica declaração que Sotomayor fez em 2001, quando disse que uma "mulher latina sábia" tomaria melhores decisões que um juiz branco privado dessas experiências.

Eles reiteraram que um juiz deve aplicar as leis e não fazer do Supremo palanque político, algo que acreditam que poderia acontecer se Sotomayor for confirmada pelo Senado.

Para Sessions, a "ideologia liberal e pró-governo" da magistrada desqualifica a indicação dela. Já o testemunho que deu nas audiências "não foi claro nem contundente" o suficiente para eliminar as dúvidas sobre sua filosofia judicial.

A exceção republicana foi Lindsey Graham, que lembrou aos correligionários que os "EUA mudaram para melhor" graças à nomeação de Sotomayor e que, ao revisar seu currículo e histórico de vida, não encontrou justificativas para vetá-la.

"Ela não será pior que Souter, na minha opinião. Portanto, não haverá um grande mudança (ideológica)" no Supremo, disse o senador da Carolina do Sul, segundo quem a trajetória de Sotomayor não revela posturas radicais.

Os democratas reagiram dizendo que, além de omitir a "excepcional" trajetória de Sotomayor, os republicanos se detiveram em "três palavrinhas de um discurso tirado de contexto", como disse o senador Richard Durbin.

Os governistas destacaram que a juíza não só tem experiência, integridade e temperamento para assumir o cargo, como será "fiel à lei" e à Constituição.

"É um dia histórico para os EUA", disse o democrata Charles Schumer.

Por sua vez, o presidente da Comissão, Patrick Leahy, afirmou que Sotomayor é uma juíza "justa e imparcial", e o interesse sobre sua nomeação se viu refletido nas quase 2 mil pessoas que assistiram aos quatro dias de audiências e aos "milhões" de americanos que as acompanharam na imprensa.

A indicação colocou grupos conservadores e progressistas em lados opostos, num reflexo das divisões que persistem nos EUA em torno de assuntos sociais como o direito ao aborto e à posse de armas.

A National Rifle Association (NRA), que com suas doações tem peso entre os políticos, se opôs a Sotomayor por considerá-la "hostil" à Segunda Emenda, que garante o direito à posse de armas.

Em toda a sua história, o Supremo teve 110 magistrados, dos quais 106 foram homens brancos, dois foram afro-americanos e outros dois foram do sexo feminino.

Selecionada pelo presidente Barack Obama numa pequena lista de candidatos, se confirmada no plenário do Senado, Sotomayor, de 55 anos, jurará o cargo a tempo da nova sessão do Supremo, em outubro.

EFE mp/sc

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