Nova York, 10 dez (EFE) - A Sothebys retirou hoje os três manuscritos do ativista negro Martin Luther King que leiloaria amanhã como parte da coleção particular do ator e cantor Harry Belafonte após os herdeiros legais do astro terem reivindicado a propriedade dos documentos. Um porta-voz da Sothebys disse à Agência Efe que a casa de leilões retirou os três lotes relacionados com os documentos de Martin Luther King do leilão de amanhã por expresso pedido de Harry Belafonte, e, por isso, nenhum artigo do ator será vendido. Esta decisão foi tomada horas depois que os parentes de Luther King em Atlanta, Geórgia, reivindicaram a propriedade dos documentos, que faziam parte da coleção pessoal de Belafonte, amigo íntimo de King. Os manuscritos foram retirados da venda, mas ainda não se sabe a qual das partes pertencem. O documento que poderia alcançar o maior preço seria o esquema que o próprio Luther King idealizou para fazer seu primeiro discurso público contra a Guerra do Vietnã, que ocorreu em 1º de março de 1965 na universidade Howard de Washington D.C.

Os especialistas da Sotheby's calculavam que os compradores poderiam pagar pelo manuscrito entre US$ 500 mil e US$ 800 mil.

Junto com esse documento seriam leiloadas notas do último discurso de Luther King, que foram resgatadas do bolso de sua roupa após ser assassinado em 4 de abril de 1968 em Memphis, Tennessee, e cujo preço previsto de venda está situado a US$ 100 mil e US$ 150 mil.

Além disso, a coleção do americano Harry Belafonte incluía a carta de pêsame enviada pelo então presidente dos Estados Unidos Lyndon B. Johnson à esposa de Martin Luther King, Coretta Scott King (1927-2006).

Martin Luther King e o também ativista pró-direitos civis Harry Belafonte se conheceram no bairro nova-iorquino do Harlem em 1956 e foram grandes amigos até a morte do primeiro. EFE atc/db

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