Sorteios de cirurgias estéticas em discotecas geram polêmica na Argentina

Maricel Seeger. Buenos Aires, 20 out (EFE).- Os sorteios de cirurgias estéticas, principalmente de implantes de silicone, em discotecas e festas na Argentina criam polêmica entre empresários - que elogiam esta nova tática para atrair o público - e médicos - que criticam estes prêmios.

EFE |

Enquanto no distrito de Córdoba, no centro do país, acontece um concurso cujo prêmio é um implante de silicone, outras províncias como Buenos Aires e La Rioja, no norte, anunciaram a proibição destes sorteios por considerarem que eles são "perigosos" para as pacientes e atentam contra as normas de ética da medicina.

O debate se intensificou após a morte, na última semana, de uma argentina de 35 anos que mora na Espanha e que viajou para a Argentina para se submeter a uma cirurgia estética nos seios.

A mulher morreu após a aplicação da anestesia em uma clínica de Córdoba, a mesma província na qual a discoteca Montecristo procura atrair público com um concurso que irá até 15 de novembro, quando haverá o sorteio de um implante.

Sobre a novidade deste tipo de prêmios, o responsável por Relações Públicas da Montecristo, Aquilino Martínez, explicou à Agência Efe que "é isto o que as pessoas querem", pois "os sorteios tradicionais já passam despercebidos".

A iniciativa gerou grande polêmica na província, no entanto, as autoridades ainda não tomaram nenhuma medida sobre o concurso.

Em outra experiência similar na província de San Juan, a ganhadora de um sorteio foi encaminhada a um cirurgião para o implante se silicone.

Os argentinos Rodrigo Herrera e Joaquín Medina queriam repetir o mesmo concurso em novembro em La Rioja, mas a recente decisão do Governo provincial de proibir estas iniciativas obrigou os empresários a buscarem outros horizontes.

O Governo desta província tomou esta medida após um dirigente político oferecer um implante de silicone como prêmio a quem colaborasse no financiamento de sua campanha eleitoral.

"O público já está cansado dos sorteios de carros, motos e está buscando algo novo", declarou Herrera, que em setembro sorteou uma cirurgia plástica em uma festa de La Rioja, antes do veto oficial.

No entanto, o porta-voz da Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, o médico Francisco Famá, disse à Efe que "entregar em um concurso um implante mamário" não é a mesma coisa que sortear um eletrodoméstico, por isto "não se pode tratar com a mesma leviandade".

"O médico tem que estabelecer uma relação com o paciente, tem que avaliar se existem condições para operar. Por isto é necessário que exista um marco de regulação que permita pôr um freio na proliferação destas iniciativas", declarou Famá.

O Governo da província de Buenos Aires, a maior da Argentina, decidiu este mês proibir estes sorteios nas discotecas através de uma resolução do ministério da Saúde, segundo a qual estas intervenções "ficam expressamente reservadas aos profissionais da saúde".

"Todos estamos de acordo" de que isto "é um disparate e que é preciso proibir" esta prática. "É perigoso para as pessoas, viola normas do Código de Ética e a lei sobre o exercício da profissão", disse o ministro da Saúde da província, Claudio Zin.

A resolução foi ditada neste caso após o boliche Sunset, um dos mais visitados da província, anunciou o sorteio de um implante de silicone para "incentivar as meninas" a valorizarem a estética, nas palavras dos organizadores.

Esta é uma posição da qual discorda o vice-presidente da Associação de Psicólogos de Buenos Aires, Felisa Senderovsky, que disse à Efe: "Há meninas que acham que as cirurgias lhes dão mais auto-estima ou segurança, o que não passa pelo físico, mas pelo mundo interno".

"O corpo é importante, pois é uma carta de apresentação, mas não é a única", acrescentou. EFE ms/ab/fal

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