Sorte e preparação ajudaram Chile a ter menos mortes que Haiti em tremor

Uma equipe de geofísicos americanos, que investigou os efeitos dos recentes terremotos no Chile e no Haiti, acredita que menos gente morreu no país sul-americano porque os chilenos estavam mais preparados e tiveram mais sorte em relação à forma como o tremor ocorreu. O terremoto de 8,8 graus de magnitude que atingiu o Chile em fevereiro foi um dos mais fortes já registrados e causou a morte confirmada de 500 pessoas, até agora.

BBC Brasil |

Entretanto, o terremoto de janeiro no Haiti, mais fraco (mediu 7 graus de magnitude), causou a morte de 220 mil pessoas.

Os cientistas da agência geológica americana (USGS, na sigla em inglês) e da Universidade de Harvard afirmaram que o conhecimento dos chilenos em geral sobre terremotos e a forma lenta com que o tremor ganhou força até chegar ao seu ápice fizeram com que muita gente tivesse tempo de escapar das casas e edifícios, salvando milhares de vida.

Os estudiosos disseram também que os rigorosos padrões de construção chilena - um país acostumado com terremotos - também desempenharam importante papel em evitar que o tremor se transformasse em uma tragédia muito maior.

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Explicação
Em uma entrevista coletiva em Santiago, a capital chilena, Walter Mooney, um dos pesquisadores, afirmou que "acima de tudo, os chilenos estão acostumados com terremotos e reagem de maneira correta diante deles".

"As pessoas tiveram entre 20 e 30 segundos para olhar, se dar conta de que o tremor estava aumentando, e tomaram a decisão correta na maioria dos casos, saindo das estruturas perigosas e correndo para o campo aberto. De tal modo que o conhecimento, e um pouco de sorte, são a resposta para explicar por que tanta gente sobreviveu", ressaltou Mooney.

Ele explicou que, no Haiti, o terremoto destruiu a camada de rocha subterrânea na região de Porto Príncipe em questão de segundos.

Os edifícios caíram instantaneamente, sem dar tempo para que as pessoas pudessem escapar.

Lições
Apesar do número de mortes relativamente baixo, Mooney advertiu que o Chile deve aprender com o desastre, particularmente em relação às construções na costa do país.

Muitos dos que morreram não foram vítimas do sismo, mas sim dos tsunamis que se seguiram em algumas cidades costeiras.

Os geofísicos advertiram que, mesmo que o Chile tome precauções, continuaria sendo um país altamente vulnerável a terremotos.

O norte do país é motivo de especial preocupação, alertaram ainda os cientistas, já que a região não sofre um grande terremoto há cerca de cem anos e por isso existe a probabilidade de que sofra outro em breve.

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