Sorridentes, Obama e Chávez se cumprimentam em cúpula

PORT OF SPAIN - Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Venezuela, Hugo Chávez, se cumprimentaram e sorriram um para o outro ao encontrarem-se na abertura da Cúpula das Américas, um ato que o governo de Caracas classificou como histórico. A saudação acontece após anos de severas tensões diplomáticas entre os dois países.

Redação com agências internacionais |

AP
Obama e Chávez se encontram

Obama e Chávez se encontram em Trinidad e Tobago

Analistas políticos ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a participação de Obama na Cúpula das Américas representa um desafio para o presidente da Venezuela.

"Chávez passou quase oito anos reclamando do governo (George W.) Bush, principalmente contra suas políticas contra Cuba e Venezuela", afirmou Mervin Rodríguez, profesor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Central da Venezuela.

"Agora, antes mesmo de ouvir as exigências de Chávez, Obama já envia uma resposta, ainda que indireta, que sinaliza uma aproximação com o governo cubano. Se (Obama) continuar com esta dinâmica, o discurso antiimperialista de Chávez tende a ir ficando sem gasolina".

Isolamento

Na opinião de Mervin Rodríguez, Obama tratará de "reconstruir as pontes" fragilizadas entre Washington e a Venezuela durante o governo Bush.

"Se alcançar esse objetivo, podemos esperar uma relação menos combativa entre Estados Unidos e a América Latina e o discurso de resistência de Chávez contra a política norte-americana tende a esvaziar-se", afirmou.

Caso a possibilidade se confirmar, na opinião de Mervin Rodríguez só restará a Chávez "mudar o tom" para evitar um isolamento na região.

Forma e conteúdo

Outro analista político, Miguel Tinker Salas, professor de História Latinoamericana da Pomona College, da Califórnia, tem uma visão um pouco mais cética.

Segundo Tinker, Obama terá um novo espaço para trabalhar com os demais líderes do hemisfério, mas terá que demonstrar a mudança com fatos.

"Uma alteração só no estilo e na forma não terá um impacto duradouro", afirmou. Tinker Salas considera que o governo Obama ainda "não rompeu com o passado", ao destacar que há posições antagônicas dentro do governo sobre como devem ser constituídas as relações com a América Latina a partir de agora.

"Os Estados Unidos estão em uma posição debilitada devido a crise econômica e o governo Obama não tem nada novo a propor para a América Latina", afirmou. "No que se refere a assuntos estratégicos no âmbito militar, político e econômico, continuará igual", acrescentou.

* Com BBC e Reuters

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