Soros pede uso de verba do FMI para combater mudança climática

O investidor George Soros apresentou nesta quinta-feira durante a reunião das Nações Unidas para o clima, em Copenhague, uma proposta para financiamento de ações contra mudanças climáticas em países em desenvolvimento. A ideia do multimilionário é utilizar linhas de financiamento liberadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar países industrializados durante a crise econômica mundial - mas que nunca foram acionadas.

BBC Brasil |

"Isso supera os problemas de financiamento", disse Soros à BBC. "Pode ser muito importante, porque as mudanças climáticas são um problema real e existencial para o mundo."
Organizações não-governamentais elogiaram a ideia. O Greenpeace afirmou que "todos os líderes mundiais" deveriam estudá-la, mas de qualquer maneira, "países industrializados têm que pôr dinheiro na mesa até o fim da semana que vem".

A ActionAid classificou a proposta de "empolgante" e também pediu que governantes a avaliem.

Polêmica
A aprovação de um fundo de financiamento para ajudar no combate à mudança climática em países em desenvolvimento causou polêmica nos três primeiros dias da reunião de Copenhague.

A proposta dos países industrializados sinaliza o investimento de US$ 10 bilhões por ano para um fundo de emergência, apelidado de fast start fund.

A ideia, no entanto, esbarra nas expectativas de diversos países que, como o Brasil, afirmam que um fundo de curto prazo não será suficiente para se chegar a um acordo.

Com a sugestão de Soros, o dinheiro para este fundo emergencial poderia ser multiplicado. E o empréstimo seria lastreado pelas reservas de ouro do FMI.

O megainvestidor afirmou que a ideia foi bem recebida por representantes de governos de países ricos.

'Cozinhando vivo'
Para Soros, mesmo que existam dúvidas sobre o aquecimento global - o que o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) negou, mesmo depois do escândalo da divulgação de emails que, segundo céticos, questionariam os argumentos científicos do fenômeno -, o investimento seria válido.

Saiba mais na BBC Brasil sobre os emails
"Eu pessoalmente acho que as provas científicas são esmagadoras, mesmo apesar deste abuso entre alguns cientistas", disse o investidor.

"Além disso, se a escolha fosse entre ser cozinhado vivo e desperdiçar dinheiro desnecessariamente, eu preferiria gastar um dinheiro. Porque muito antes de sermos cozinhados, vamos nos matar, se não enfrentarmos a mudança climática."
O financiamento que Soros propõe ser usado é conhecido como Special Drawing Rights (SDR) e só está sujeito a juros depois que o dinheiro entrar em circulação.

Assim que isso acontecer, incidiriam juros de 0,5% ao ano, mas eles seriam pagos, na sugestão de Soros, pelas reservas de ouro do FMI, que atualmente valem mais de US$ 100 bilhões.

'Falta de vontade política'
Com isso, os países em desenvolvimento não teriam que se endividar com o pagamento juros.

Além disso, Soros sugere que os países em desenvolvimento podem até lucrar com os investimentos feitos com o dinheiros dos SDR, ao vender créditos de carbono para países ricos nos mercados internacionais.

E o ouro seria usado como lastro para o caso de os mercados de carbono não se valorizarem com é esperado.

"O que está faltando é só vontade política para combater as mudanças climáticas com o uso de SDRs", disse.

Soros afirmou ainda que até os Estados Unidos apoiaram a sugestão em princípio, mas temem que a ideia não seja aprovada no Senado.

"A graça dessa ideia é que ela não entra nas folhas de orçamento. É uma situação em que todos saem ganhando."

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