Avanços na terapia anti-retroviral combinada fizeram com que a expectativa de vida dos portadores do HIV (o vírus causador da Aids) em países ricos aumentasse 13 anos entre os períodos de 1996-1999 e 2003-2005, revela uma pesquisa feita por cientistas britânicos e canadenses. Esses avanços também foram responsáveis por uma queda de quase 40% na taxa de mortalidade dos pacientes no mesmo período, afirma o estudo, divulgado na edição desta semana da publicação científica The Lancet.

De acordo com os pesquisadores, desde que foi introduzida, em 1996, a terapia anti-retroviral combinada se tornou mais eficaz, melhor tolerada e mais simples em termos de dosagem.

Segundo o estudo, esses avanços "transformaram o HIV de uma doença fatal em uma condição crônica de longo prazo".

No entanto, os pesquisadores dizem que a expectativa de vida dos soropositivos ainda é menor do que a da população em geral. Afirmam também que pacientes que iniciam o tratamento mais tarde têm expectativa de vida mais baixa.

Pesquisa
O estudo foi realizado por pesquisadores do Centro de Excelência em HIV/Aids de British Columbia e da Universidade Simon Fraser, no Canadá, e da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, com a colaboração de profissionais de outros países.

Para realizar o estudo, os especialistas compararam as mudanças nos índices de mortalidade e expectativa de vida entre pacientes soropositivos tratados com a terapia anti-retroviral combinada.

Foram analisados três grupos de pacientes que haviam iniciado o tratamento nos períodos entre 1996-1999, 2000-2002 e 2003-2005.

O primeiro grupo incluía 18.587 pacientes, o segundo, 13.914, e o terceiro, 10.584 pacientes.

No total, 2.056 pacientes morreram durante a realização do estudo. No período de 1996-1999, foram 16,3 mortes a cada mil pacientes. Essa taxa caiu para 10,0 mortes por mil pacientes no período entre 2003-2005, uma redução de cerca de 40%.

A expectativa de vida saltou de 36,1 anos no período de 1996-1999 para 49,4 anos em 2003-2005, um aumento de mais de 13 anos.

Mulheres
O estudo também revelou que pacientes que contraíram o vírus HIV pelo uso de seringas contaminadas apresentaram expectativa de vida mais baixa (32,6 anos) do que a média daqueles em outros grupos (44,7 anos).

De acordo com a pesquisa, as mulheres apresentaram expectativa de vida de 44,2 anos, levemente mais alta do que a dos homens, de 42,8 anos.

Segundo os pesquisadores, essa diferença pode ser devido ao fato de que as mulheres, em média, iniciam o tratamento mais cedo que os homens.

A pesquisa revelou que pacientes que iniciaram o tratamento em estágios mais avançados apresentaram expectativa de vida mais baixa, de cerca de 32,4 anos, do que aqueles que começam a terapia nos estágios iniciais (50,4 anos).

Segundo os pesquisadores, os soropositivos que iniciam a terapia anti-retroviral combinada aos 20 anos vivem, em média, mais 43 anos, ou seja, até os 63 anos de idade.

No entanto, os cientistas afirmam que, em países ricos, uma pessoa que não é portadora do vírus HIV vive em média 80 anos, uma diferença de 17 anos a mais em relação aos soropositivos.

Diante disso, os pesquisadores apelam às autoridades para que melhorem os serviços de saúde e as condições de vida dos soropositivos, para que essa diferença seja reduzida.

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