Sonia Sotomayor assume como 1ª hispânica no Supremo dos EUA

Teresa Bouza. Washington, 8 ago (EFE).- A magistrada de origem porto-riquenha Sonia Sotomayor escreveu hoje uma página na história ao assumir o cargo como primeiro membro hispânico da Corte Suprema dos Estados Unidos, em cerimônia dirigida pelo presidente do órgão, John Roberts.

EFE |

Sotomayor será a terceira mulher a ocupar um dos nove postos vitalícios do Supremo nos 220 anos de história da corte.

O ato, ao qual foi permitido pela primeira vez o acesso de câmeras de televisão, foi precedido de outra cerimônia privada breve à qual estiveram presentes os parentes e amigos da juíza.

A mãe de Sonia, Celina Sotomayor, segurou a Bíblia sobre a qual ela jurou seu cargo, prometendo aplicar o direito de forma igualitária entre pobres e ricos.

Elas usavam tailleur de cores claras e se abraçaram, emocionadas, ao fim do juramento.

A magistrada, de 55 anos, se refere frequentemente à mãe como a inspiração de sua vida, a pessoa a quem diz que deve tudo o que é e alguém perante a qual continua se sentindo pequena.

"Sou só metade da mulher que ela é", afirmou em maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sugeriu seu nome para substituir o juiz aposentado David Souter.

Os juízes do Supremo são nomeados pelo presidente, mas precisam ser confirmados pelo Senado, que aprovou na quinta-feira Sotomayor por 68 votos a favor e 31 contra.

No total, 59 democratas e nove republicanos respaldaram sua candidatura.

Cerca de 60 convidados participaram da cerimônia de hoje, entre eles Greg Craig, assessor da Casa Branca, e outros membros da residência oficial americana que a ajudaram a se preparar para as audiências de confirmação no Senado.

A nova integrante do Supremo encarna a típica história de sucesso admirada e respeitada pelos americanos.

Nascida no bairro nova-iorquino do Bronx, os pais da juíza saíram de Porto Rico para Nova York durante a Segunda Guerra Mundial.

O pai de Sotomayor, empregado de uma fábrica, não falava inglês.

A juíza cresceu em casas de um projeto público de habitação, perto do estádio de sua equipe favorita de beisebol, o New York Yankees.

Ela tinha 9 anos quando o pai morreu. A mãe, uma enfermeira que trabalhava seis dias por semana, foi responsável por criar Sotomayor e seu irmão.

Sotomayor se formou na Universidade de Princeton, é também formada da Universidade de Yale e trabalhou em praticamente todos os níveis do sistema judiciário americano durante suas três décadas de carreira profissional.

A estreia da juíza na hermética e influente Suprema Corte acontecerá em setembro durante uma sessão especial do organismo que será precedida pela cerimônia formal de posse.

O Supremo deverá decidir, então, se despreza os ditames prévios sobre reforma das leis de financiamento eleitoral.

O veredicto poderia ter grande relevância e inverter as restrições vigentes durante um século, e impostas pelo Congresso, sobre despesas durante as campanhas eleitorais.

Após a audiência de setembro, o tribunal iniciará seu período habitual de sessões no início de outubro.

Ao contrário dos tribunais de apelações, os juízes do Supremo escolhem que casos merecem sua atenção.

A instituição recebe cerca de 8 mil pedidos anuais e seleciona menos de 80 casos.

Os juízes já escolheram 46 deles e Sotomayor poderá emitir sua opinião sobre os outros restantes.

A primeira magistrada proposta pelos democratas nos últimos 15 anos fará companhia, a partir de outubro, a Ruth Bader Ginsburg, atualmente a única mulher no Supremo.

Sotomayor chegará a um tribunal dividido entre quatro juízes conservadores, quatro progressistas e um magistrado "dobradiça", o republicano moderado Anthony Kennedy, que costuma quebrar o empate a favor do lado conservador.

Como "novata" do Supremo, será a última a falar durante as conferências privadas nas quais o tribunal decide casos. Além disso, terá que tomar notas, gravar os votos e atender a porta se alguém chegar.

O juiz Stephen Breyer desempenhou essa incumbência durante mais de 11 anos antes de Samuel Alito se juntar ao tribunal, em 2006. EFE tb/an

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