Sonda luta contra o tempo para decifrar dúvidas sobre Marte

Cientistas lutam contra o tempo para tentar decifrar algumas das principais dúvidas sobre Marte antes que o inverno rigoroso paralise as operações da sonda espacial Phoenix, que pousou no planeta vermelho em maio. Desde o início da missão, a sonda vem fazendo descobertas cruciais para o conhecimento do planeta - a mais importante: a constatação de que existe água congelada no solo de Marte.

BBC Brasil |

A sonda Phoenix sobreviveu muito além dos 90 dias previstos na região polar de Marte. Mas, com a chegada do inverno no planeta, o equipamento não será capaz de recarregar suas baterias e deixará de funcionar para sempre.

A missão tem sido avaliada como um grande sucesso para a Nasa (agência espacial americana), graças à descoberta da camada de gelo e à utilização de diversos instrumentos, incluindo um laboratório quimico, um microscópio e um forno para analisar pela primeira vez a água de Marte.

Agora, os cientistas tentam encontrar matéria orgânica antes que as baterias da sonda parem de funcionar. Isso seria fundamental para descobrir se já houve vida em Marte.

Os pesquisadores também esperam ativar um microfone na sonda para gravar os sons do planeta, também pela primeira vez.

Música
O repórter de ciência da BBC Matt McGrath foi ao quartel-general da missão, em Tucson, no Arizona (Estados Unidos), onde cientistas da Universidade do Arizona comandam a operação. McGrath conversou com o chefe da missão, o cientista Peter Smith.

"Estamos valentemente buscando matéria orgânica em Marte, esse é o principal objetivo da missão", afirmou Smith.

Mas segundo o cientista, a resposta para a questão sobre a existência de vida em Marte pode demorar.

"Você não pode dizer que não há dinossauros vivos porque pessoalmente não foi a todos os cantos da Terra verificar isso", argumenta. "Para nós, não é possível ir a Marte, explorar dois lugares e concluir que não existe vida".

"Só teremos uma resposta definitiva se eles encontrarem vida, caso contrário, você não tem como saber", acrescentou.

Smith falou também de outra meta da equipe: ouvir a "música" de Marte.

"Estamos mudando o software e fazendo ajustes que vão permitir que liguemos o microfone", afirmou o pesquisador. "Acho que vai ser um barulho interessante, pode ser música, eu não sei."
A sonda Phoenix não deve sobreviver por muito mais tempo, mas marca a chegada de uma nova geração de missões científicas que, nos próximos dez anos, vão explorar Marte com uma minúcia nunca vista.

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