Sombria herança econômica espera Obama na Casa Branca

Teresa Bouza. Washington, 19 jan (EFE).- Barack Obama herdará, após sua posse na próxima terça-feira, um complicado panorama econômico e a pior crise financeira em 80 anos no país.

EFE |

Para combater o problema, Obama já anunciou que não poupará gastos, embora isso envolva aumentar ainda mais os danos nos já abalados cofres do Governo.

Seu plano para tirar o país do fundo do poço passa pela aprovação de um megapacote de estímulo econômico, que poderia custar aos cofres públicos a bagatela de US$ 800 bilhões e situar o déficit este ano bem acima da marca de US$ 1 trilhão.

Porém, o próximo presidente acredita que o fim de 2,6 milhões de postos de trabalho em 2008, no que foi o pior dado sobre emprego desde a Segunda Guerra Mundial, e a recessão econômica justificam o esforço.

E não é só isso. O próximo governante americano advertiu que o déficit de mais de US$ 1 trilhão será comum nos próximos anos.

Especialistas procurados pela Agência Efe concordaram ao dizer que, dada a gravidade da situação, não restam muitas outras opções senão a de aumentar a despesa, embora isso acarrete também certos riscos.

"Não há outra solução. A economia precisa voltar a crescer e o impulso não vai vir nem das famílias americanas, nem dos negócios, nem do resto do mundo", disse Joel Naroff, presidente da empresa de consultoria Naroff Economic Advisors.

Para Naroff, os objetivos do plano que Obama tenta aprovar, que prevê grandes investimentos em infra-estruturas e energias renováveis, são corretos.

"A ideia central é investir em projetos que continuem impulsionando a economia a longo prazo e que permitam que ela entre totalmente no século XXI", frisou Naroff.

Peter Morici, professor de Economia da Universidade de Maryland, alertou de todas as formas sobre o perigo de um déficit cada vez maior.

"Temos que reduzir o desequilíbrio de nossa balança comercial com a China e nossa dependência do petróleo, outra grande verba do déficit comercial", disse Morici.

"Se não fizermos isso, precisaremos de estímulos cada vez maiores e seguir pedindo dinheiro emprestado a países com superávit, até chegar um dia em que a China poderá comprar nosso país", previu o economista.

A crise econômica é só a metade do problema. A outra metade é a crise financeira, culpada, de fato, pela atual hecatombe e que representa, na opinião dos analistas Michael Lewis e David Einhorn, o fim do mundo financeiro como conhecíamos.

"O resto do mundo nos olhou com desconfiança e suspeita em outros temas, mas quando se tratava de dinheiro, até nossos mais profundos críticos tendiam a pensar que sabíamos o que estávamos fazendo", afirmaram os dois analistas econômicos em artigo publicado recentemente no diário "The New York Times".

Lewis e Einhorn lembraram que durante anos os banqueiros americanos serviram de exemplo e universitários de todo o planeta sonhavam em conseguir um trabalho em Wall Street.

Para eles, essa é a razão que levou o colapso do sistema financeiro americano a provocar, mas do que uma crise interna, uma desconfiança global.

"'Meu Deus!' É o que parece estar dizendo o resto mundo. Se eles não sabem o que estão fazendo com o dinheiro, então quem sabe?", disseram os articulistas, que consideram ser imprescindível uma profunda revisão do sistema de Wall Street.

Obama prometeu uma grande reforma reguladora que permita restaurar a confiança nos mercados, porém os analistas consideram que o próximo governante também precisa seguir apoiando as medidas para estabilizar o sistema financeiro e conseguir que o crédito volte a fluir de forma normal na economia.

"A história demonstra de forma clara que as economias modernas não podem crescer caso seus sistemas financeiros não operem de forma eficiente", advertiu na semana passada, em Londres, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke. EFE tb/rr/mh

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