Somália diz ter dominado reduto de rebeldes islâmicos

Militantes do Al Shabab afirmam que retirada da cidade foi tática e ameaçam o país com mais 'banhos de sangue'

iG São Paulo |

Tropas etíopes e somalis tomaram o controle de um estratégico reduto de militantes islâmicos localizado na região sudoeste da Somália, informaram testemunhas nesta quarta-feira.

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Reuters
Forças do governo somali patrulham as ruas da capital Mogadíscio

Segundo residentes do local ouvidos pela rede britânica BBC, cerca de 50 veículos, incluindo 20 tanques, entraram na cidade de Baidoa na quarta-feira após uma troca de tiros. Isaq Haji, um morador, disse que os militantes do Al Shabab - grupo islâmico radical - se refugiaram na floresta nos arredores da cidade.

Haji acrescentou que o tiroteio havia terminado, mas que ainda era possível ouvir barulho de disparos. Em um comunicado em sua página na internet, o Al Shabab, que recentemente se filiou à Al-Qaeda, confirmou a captura da cidade, dizendo que seus militantes realizaram uma "retirada tática".

"A conquista da cidade não quer dizer que o inimigo vá passar bem. Haverá mais banhos de sangue e as zonas que conquistaram só servirão de túmulo para as forças cristãs invasoras e sua milícia de apóstatas somalis", declarou um comandante insurgente.

O premiê somali anunciou a conquista nesta quarta-feira. "Uma das principais cidades do sudoeste da Somália, Baidoa, foi reconquistada das mãos do Shabab", disse Abdiweli Mohammed Ali, de Londres.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) autorizou nesta quarta-feira um aumento na força de paz da União Africana no país.

A missão, conhecida pela sigla Amisom, tem atualmente 12 mil soldados e policiais, mas poderá chegar a 17.731, conforme a resolução aprovada por unanimidade pelo conselho na véspera de uma conferência internacional em Londres que vai discutir medidas contra a instabilidade na Somália e a pirataria em seus mares.

Até agora, a Amisom é formada por soldados de Uganda e Burundi. A ampliação será feita principalmente pela inclusão sob seu comando do contingente queniano que desde outubro passado opera de forma independente no território somali para tentar frear o avanço dos rebeldes do grupo Al Shabaab, que Nairóbi acusa de cometer ataques e sequestros no Quênia.

Diplomatas disseram que o Djibouti também deve fornecer tropas para a nova fase da missão. Embora se trate de uma força da União Africana, a ONU deu autorização e financia grande parte das suas operações.

A Amisom chegou à Somália em 2007, e desde agosto passado controla a capital, Mogadíscio. Os combatentes da Al Shabaab ainda dominam grande parte da Somália, e o fraco governo nacional controla apenas uma pequena parcela do território.

Forças etíopes também estão na Somália, mas não devem ser incorporadas à Amisom e irão se retirar em breve, segundo diplomatas.

Embora tenham abandonado a capital Mogadíscio em agosto, o Shabab controlam o centro e o sul da Somália, um país que carece de um governo efetivo. Baidoa é uma importante rota comercial e tem também um aeroporto, utilizado pelos rebeldes para o transporte de armas.

Com AP, Reuters e AFP

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