Solidariedade mantém haitianos vivos durante crise

Por Patricia Zengerle PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Depois do terremoto do dia 12, a clientela da pizzaria Muncheez mudou - os profissionais bem-sucedidos foram substituídos por filas de pessoas mantidas vivas pelas refeições gratuitas que os donos do local discretamente fornecem.

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Todos os dias, de 1.000 a 1.500 haitianos desabrigados e famintos aparecem neste popular estabelecimento de Petionville, bairro relativamente abastado na devastada capital Porto Príncipe.

Quem tem um dos braceletes distribuídos de antemão por Clifford Rouzeau, sócio da pizzaria, recebe uma refeição grátis, que pode ser pizza, macarrão, frango ou arroz - "qualquer coisa que tivermos", disse Rouzeau, novaiorquino filho de haitianos que está radicado no país desde os 4 anos de idade.

Enormes quantidades de ajuda têm chegado ao país do mundo inteiro, e a população é grata pela assistência. Mas, num país com milhões de sofredores, que já era miserável mesmo antes da tragédia, a ajuda mais essencial muitas vezes vem de quem está logo ao lado.

Os três restaurantes de Rouzeau não foram afetados pelo terremoto, que matou até 200 mil haitianos e deixou milhões de feridos e desabrigados. Desde então, ele distribui comida diariamente, e diz que fará isso enquanto puder. Conta também que está entregando comida a hospitais.

"Não vou abrir um restaurante e atender pessoas que podem comprar minha comida, quando há centenas de milhares de pessoas nas ruas passando fome a cada dia", afirmou ele.

As necessidades das vítimas continuam enormes e sem serem atendidas, enquanto grupos humanitários tentam coordenar o auxílio depois do pior desastre natural na história moderna das Américas.

A pulsante capital está repleta de cartazes manuscritos, em inglês e espanhol, com os dizeres "Por favor, ajudem!" Algumas operações de distribuição de ajuda se tornaram caóticas, com homens jovens correndo para a frente e tentando se apropriar da maior parte dos alimentos, expulsando dali crianças, doentes e idosos.

E há nas ruas uma ampla preocupação de que o governo, notoriamente corrupto, irá se apropriar do dinheiro enviado para a ajuda - embora autoridades dos EUA garantam que o processo será auditado, e o presidente René Préval tenha lembrado que a maior parte das contribuições vai direto para ONGs que atuam no país, e não para o governo local.

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