Soldados tailandeses abrem fogo contra manifestantes

Soldados tailandeses abriram fogo nesta segunda-feira contra opositores do governo que protestavam no centro da capital Bangcoc. Segundo relatos de testemunhas, tropas fiéis ao governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva atiraram contra uma multidão em um dos principais cruzamentos da cidade, depois que os manifestantes atearam fogo em um ônibus e lançaram bombas inflamáveis na direção dos soldados.

BBC Brasil |

Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc, Alastair Leithhead, os militares "avançaram de repente com um canhão de água e dispararam tiros na direção dos manifestantes".

"Os manifestantes viraram o ônibus incendiado na direção dos soldados e o motorista ficou ferido depois que as tropas começaram a atirar. A situação se tornou muito tensa", disse o correspondente.

Um médico tailandês disse à BBC que cerca 74 pessoas foram levadas ao hospital após o episódio.

"Algumas haviam sido feridas a bala", contou o médico.

Um porta-voz do Exército, Sunserb Kaewkumnerd, disse que cerca de 400 soldados avançaram contra 300 manifestantes.

Ele acusou os manifestantes de avançarem com um carro na direção dos soldados, que teriam respondido "disparando tiros para o ar".

Estado de emergência
No domingo, o governo tailandês decretou estado de emergência na capital Bangcoc e arredores, enquanto centenas de manifestantes invadiam o Ministério do Interior e atacavam um carro que eles acreditavam estar levando o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

Estradas e pelo menos uma estação de trem foram bloqueadas pelos protestos e manifestantes tomaram ônibus e tanques que patrulhavam as ruas.

Grupos que apoiam o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que fugiu do país depois de ser acusado de corrupção, vêm bloqueando o acesso a prédios do governo na última semana e prometeram manter a pressão até que Abhisit renuncie.

Esses manifestantes afirmam que Vejjajiva não tem legitimidade para governar porque não foi eleito pelos tailandeses, mas sim escolhido pelo Parlamento do país.

Com o estado de emergência, podem ser proibidos encontros de mais de cinco pessoas, a imprensa pode ser censurada e o exército pode ser mobilizado para ajudar a polícia a manter a ordem, como já está acontecendo.

No sábado, o governo tailandês foi obrigado a cancelar a Cúpula de Países Asiáticos, que aconteceria no balneário de Pattaya, por causa dos protestos. O fracasso do encontro deixou o premiê em uma posição delicada e ele prometeu medidas duras para restaurar a ordem.

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