Soldados saqueiam palácio presidencial em Mali

Militares, que suspenderam Constituição do país, anunciaram fechamento de fronteiras e de aeroporto internacional

iG São Paulo |

Bêbados, soldados malinenses saquearam o palácio presidencial horas depois de declararem um golpe de Estado nesta quinta-feira, suspendendo a Constituição do país e desmantelando instituições do país no chifre da África.

Golpe: Militares tomam o poder e suspendem Constituição em Mali

O paradeiro sobre o presidente de Mali, Amadou Toumani Toure, que dentro de um mês deixaria o governo depois de uma década dentro no poder, não pode ser confirmado. Há rumores de que ele estaria em um campo militar em Bamaco, enquanto o governo dos Estados Unidos negou ter dado abrigo a Toure em sua embaixada.

O palácio foi invadido e tomado por soldados que disseram ter derrubado o presidente por falhas no combate à insurgência étnica Tuareg no note do país, que começou em janeiro. Na capital Bamaco, ocorreram tiroteios e saques em diversas áreas da capital. Autoridades do governo também foram detidas pelos insurgentes.

Segundo a agência EFE, ao menos 50 integrantes da guarda presidencial morreram nos combates. Além disso, um civil teria morrido após ser atingido por tiros em uma rua da capital.

Militares que participaram do golpe contra Touré anunciaram o fechamento do espaço aéreo e das fronteiras terrestres do país.

A medida foi tomada pelo autoproclamado Comitê Nacional para o Restabelecimento da Democracia e a Restauração do Estado (CNRDRE), sob o qual se reúnem os golpistas, que anunciam a permanência até a próxima terça-feira.

O aeroporto internacional de Bamaco permanece fechado desde quarta-feira e desde então nenhum voo decolou ou aterrissou.

Ministérios

Dezenas de soldados tomaram posições na região dos ministérios em Bamaco. A Junta Militar ordenou às tropas que patrulham as ruas que não façam disparos para o ar e mantenham-se calmos.

Na madrugada de quarta-feira para quinta-feira, o CNRDRE, presidido pelo capitão Amadou Sanogo, anunciou a revogação da Constituição e a dissolução de todas as instituições do Estado.

O golpe de estado começou com motim no quartel de Kati, a 15 quilômetros da capital, mesmo local onde em fevereiro ocorreram distúrbios nas imediações.

Os soldados se negam a participar dos confrontos entre o Exército e as forças independentistas tuaregue no norte de Mali, que pegaram em armas em 17 de janeiro para reivindicar separação do país.

A insurgência étnica tuareg no note do país ganhou força quando partidários do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , morto em outubro , voltaram a Mali fortemente armados. De acordo com o Exército, que apelou por armamentos mais potentes para o combate, o governo civil não fez o suficiente para conter a insurgência, que quer a separação do país.

Brasileiros

Os pouco mais de 30 brasileiros que estão em Mali são mantidos em segurança e em contato permanente com a Embaixada do Brasil em Bamako, capital do país, informou o Ministério das Relações Exteriores.

Em nota, o Itamaraty diz que o governo brasileiro acompanha as negociações conduzidas pela União Africana de Nações para tentar restabelecer a ordem. “O governo brasileiro apoia os esforços da União Africana no sentido de buscar o pronto restabelecimento da ordem constitucional e da democracia, conclamando as partes à moderação, ao diálogo pacífico e ao repúdio ao uso da força”.

O Itamaraty informou ainda que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, está em contato permanente com o embaixador do Brasil em Bamako, Jorge José Frantz Ramos. Nas conversas, Ramos disse que os cidadãos brasileiros em Mali “estão em segurança e mantêm permanente contato com a embaixada”.

Com 12 milhões de habitantes, o país africano conseguiu sua independência da França em 1960. A União Europeia condenou o golpe militar e apelou pelo o retorno à ordem constitucional no país.

*Com AP, EFE, Reuters e Agência Brasil

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