Cali (Colômbia), 8 out (EFE).- Transformar-se em padeiros foi a alternativa de vida encontrada por muitos soldados colombianos mutilados no conflito vivido pelo país, graças a uma iniciativa que começou na cidade de Cali.

Trata-se de "um projeto para a vida futura", disse à Agência Efe o promotor da idéia, o general Justo Eliseo Peña, comandante da III Divisão do Exército colombiano.

Satisfeito com o fato de que sua idéia foi bem recebida pelo setor privado, Peña explicou que este projeto realizado nos quartéis tem como objetivo dar aos soldados mutilados "fé em si mesmos e em seu futuro".

Os promotores da iniciativa pretendem transformá-la em uma empresa real com várias vertentes: por um lado criar entusiasmo entre os soldados em retirada forçosa e ocupar seu tempo de forma produtiva, mas além disso gerar renda para eles, acrescentou o chefe militar.

Os beneficiados são os soldados mutilados, jovens com idades entre 18 e 22 anos que ficaram feridos, em muitos casos, por minas antipessoais.

A maioria destes jovens é de uma vasta região do sudoeste colombiano, principalmente dos departamentos do Valle del Caca, Cauca e Nariño, onde o conflito colombiano continua.

"Nós sempre dizemos que no Exército há muitos mutilados e aposentados ainda jovens, e é preciso encontrar algo (...) que possam fazer", assinalou o general Peña.

A idéia foi amadurecendo até o ponto de várias associações de Cali a acolherem de forma entusiasta.

O comandante da III Divisão relatou que o projeto, que começou há alguns meses e se iniciou com tratamentos psicológicos para os primeiros soldados, já formou os primeiros padeiros.

"Com tratamentos, lhes explicamos o plano, que seria uma padaria para vender, em princípio, os produtos ao pessoal militar a um baixo custo, e a renda seria em parte para reinvestir e o resto para eles", destacou o general Peña.

Os escolhidos para o começo do plano - uma dúzia de soldados - iniciaram então um curso de instrução específica, com professores do Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA, estatal).

Entre os padeiros-soldados "há dois que não têm um braço, e um que sofreu a amputação de uma perna, mas todos produzem hoje o melhor pão, e queremos ampliar a iniciativa para mais militares, pois, todos têm as portas abertas", acrescentou.

O ideólogo da iniciativa confiou, além disso, em que em um futuro não distante, a iniciativa servirá de inspiração para outras idéias como a montagem de "uma fazenda para criar frangos, a criação de uma empresa de reciclagem de materiais, e um projeto para abrir uma papelaria com serviço de fotocopiadoras e computação".

Estas iniciativas têm um propósito comum: ocupar o maior número possível de militares mutilados, para "que eles sintam que são produtivos e úteis à sociedade", concluiu. EFE rrm/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.