Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - O Exército israelense foi abalado nesta quinta-feira por relatos de veteranos da guerra em Gaza sobre a morte de civis e alegações de grande desprezo aos palestinos entre os soldados.

Os soldados, formados pela academia militar, se reuniram no mês passado para discutir experiências da ofensiva israelense de 22 dias terminada em janeiro, uma campanha que palestinos e grupos de direitos humanos dizem justificar investigações sobre crimes de guerra.

Revelando detalhes do encontro, o diretor da instituição disse que os soldados descreveram uma atmosfera entre os militares de "desprezo desenfreado e violento contra os palestinos".

"Eles falaram sobre fogo injustificado contra civis palestinos. Houve conversa também sobre vandalismo de propriedade", disse Danny Zamir, diretor do programa pré-militar Yitzhak Rabin, à Rádio Israel.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, respondeu às acusações repetindo a descrição de Israel de que suas forças armadas são a de maior moral no mundo. O militar disse que seu advogado-geral ordenou uma investigação sobre os supostos incidentes.

Trechos da discussão dos veteranos foram divulgados nesta quinta-feira na primeira página do jornal israelense esquerdista Haaretz. A reportagem disse que revelar os "segredos sujos" tornaria mais difícil aos israelenses repudiar tais alegações como propaganda palestina.

Não é comum que soldados israelenses manifestem-se livremente sobre a morte de civis palestinos na operação lançada em dezembro por Israel na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, com o objetivo declarado de cessar os ataques com foguetes do grupo militante contra alvos israelenses.

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