Soldados israelenses mataram palestinos indefensos em Gaza

Soldados israelenses mataram civis palestinos indefensos durante a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza de 27 de dezembro a 18 de janeiro, segundo depoimentos divulgados nesta quinta-feira de oficiais que participaram na operação.

AFP |

Os soldados, procedentes da Academia Militar Yitzhak Rabin, fizeram os relatos em uma carta publicada pela instituição.

Entre os testemunhos, divulgados também pelo jornal Haaretz e as rádios pública e militar, está o caso de uma mãe palestina assassinada ao lado dos dois filhos por um francoatirador israelense porque errou o caminho ao sair de casa.

Outro é o de uma idosa palestina assassinada quando caminhava a 100 metros da própria casa.

Os relatos citam maus-tratos, saques e destruição de casas.

O diretor da instituição, Dany Zamir, afirmou à rádio pública israelense que os "testemunhos são muito duros sobre disparos injustificáveis contra civis, destruição de bens, que mostram uma atmosfera em que se acredita que é permitido usar a força sem restrições contra os palestinos".

Zamir enviou os depoimentos ao Estado-Maior para acelerar uma investigação.

O comentarista da rádio pública Moshe Hanegbi, especialista em temas jurídicos, afirmou que os depoimentos são ainda mais preocupantes porque não procedem de palestinos, e sim de "soldados que não têm o interesse de prejudicar a reputação dos colegas".

"O Exército não tem que investigar por si próprio, pois uma investigação deste tipo não seria confiável no momento em que Israel é acusado de crimes de guerra no exterior e que militares israelenses podem ser perseguidos pelo mundo", declarou.

Um porta-voz do Exército disse que não estava a par da denúncia.

"Vamos verificar a credibilidade e, se for o caso, abriremos uma investigação", disse.

A ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza matou 1.330 palestinos e deixou mais de 5.000 feridos, segundo um balanço de fontes médicas palestinas.

Entre os mortos figuram 437 menores de 16 anos, 110 mulheres e 123 idosos, além de 14 médicos e quatro jornalistas.

Entre os feridos figuram 1.890 crianças.

Do lado israelense o balanço foi de 10 militares e três civis mortos, segundo dados oficiais.

jlr/fp

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