Jerusalém, 19 mar (EFE).- Na recente ofensiva militar na Faixa de Gaza, os soldados israelenses mataram civis que não representavam ameaça à segurança das tropas e intencionalmente destruíram propriedades palestinas, afirma hoje o jornal Haaretz.

O diário antecipa trechos de conversas com militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, e que dão conta de casos nos quais morreram civis palestinos que não representavam ameaça alguma à segurança das tropas israelenses.

Nessa ofensiva, cerca de 1,4 mil palestinos morreram e mais de 5 mil ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde em Gaza, sob o controle de movimento islâmico Hamas.

Entre os soldados citados pelo diário, estão pilotos de combate e soldados de infantaria, e seus testemunhos contradizem a postura oficial do Exército israelense de que suas forças seguiram um alto comportamento moral durante a operação.

As revelações dos militares, que serão publicadas pelo jornal neste fim de semana, aparecem no boletim de um curso de graduados militares.

Os testemunhos incluem a descrição de um líder de um pelotão de infantaria sobre um incidente no qual um atirador de elite disparou por engano contra uma mulher palestina e seus dois filhos.

O militar revela que o comandante de outro um pelotão deixou que uma família saísse de um edifício no qual tinha ficado retida por soldados sob seu comando.

"Disseram para que fossem pela direita. Uma mãe e os dois filhos não entenderam (o comandante) e foram à esquerda, mas esqueceram de dizer ao atirador de elite no telhado que deixasse eles irem, que tudo estava normal e que não devia atirar. E ele fez o que achava que devia fazer, cumpria ordens", disse.

Segundo o militar, "o atirador viu a mulher e os dois filhos se aproximando dele além das linhas que ninguém devia atravessar.

Atirou. Em qualquer caso, o que aconteceu é que os matou".

O chefe de pelotão disse que não acha que o atirador se "sentisse mal a respeito, porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. E a atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados".

O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera "errôneos" e "inaceitáveis" para as Forças Armadas de Israel. EFE db-amg/an

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