Soldados indianos lutam para retomar hotéis em Mumbai

Por Charlotte Cooper MUMBAI (Reuters) - Soldados de elite da Índia perseguiram militantes islâmicos dentro dos quartos de dois hotéis de luxo de Mumbai para salvar inúmeras pessoas presas ou feitas reféns, nesta quinta-feira, um dia após uma série de ataques coordenados que deixaram 119 mortos e que, segundo o primeiro-ministro indiano, são de autoria de um grupo terrorista de fora do país.

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"A situação ainda não está sob controle e estamos tentando tirar os terroristas que se escondem dentro dos dois hotéis", disse Vilasrao Deshmukh, ministro-chefe do Estado de Maharashtra, onde se localiza a cidade de Mumbai.

A polícia afirmou que 119 pessoas foram mortas e 315 ficaram feridas quando homens armados -- acredita-se que alguns chegaram pelo mar -- se espalharam por Mumbai para atacar locais populares entre turistas e homens de negócios, incluindo dois hotéis de luxo.

O número de mortos é apenas uma estimativa, em uma situação que trouxe o maior caos para a cidade desde que uma série de ataques a bomba matou centenas de pessoas em 1993, no que foi visto como uma vingança pela morte de muçulmanos em conflitos com indianos.

Com o desdobramento do caso, o número final de mortos pode ser ainda mais alto.

Pelo menos 10 cidadãos israelenses estão aprisionados em prédios ou mantidos como reféns, disse uma autoridade da embaixada israelense. "Podem ser 10 ou 20, podem ser mais", disse autoridade em condição de anonimato. "Não creio que sejam menos que 10".

VIZINHOS

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, culpou grupos militantes sediados em países vizinhos da Índia -- o que normalmente significa o Paquistão -- pelos ataques aumentando a tensão entre as duas potências nucleares rivais.

Com helicópteros sobrevoando o local, uma multidão comemorou quando os soldados de elite, com os rostos pintados de preto, invadiram o hotel Trident-Oberoi, onde estima- se que de 20 a 30 pessoas foram feitas reféns e mais de 100 estavam presas em seus quartos.

Chamas enormes eram vistas saindo de um andar alto do edifício.

Mais cedo, explosões sacudiram o Taj Hotel, cartão-postal à beira-mar com 105 anos, quando soldados expulsaram os últimos militantes que estavam ali. Fogo e fumaça saíam de uma janela aberta.

"Os soldados de elite estão no controle", disse Dipak Dutta à rede NDTV após ser resgatado. Enquanto os soldados o escoltavam pelos corredores, diziam a ele para que não olhasse para nenhum corpo abaixo. "Vários aprendizes de gastronomia foram massacrados na cozinha."

Pelo menos seis estrangeiros foram mortos, incluindo um australiano, um britânico, um italiano e um japonês.

Os que sobreviveram contavam cenas chocantes. A atriz australiana Brooke Satchwell disse que escapou por pouco dos atiradores escondendo-se em um armário do banheiro.

"Tiros eram disparados contra as pessoas no corredor. Havia alguém morto fora do banheiro", disse a atriz, tremendo, à televisão australiana. "Logo em seguida eu estava descendo as escadas correndo e havia um casal morto na escada. Era o caos."

Um militante telefonou para um canal de televisão da Índia para oferecer negociações com o governo para a libertação dos reféns e para reclamar sobre abusos na Caxemira, região disputada por Índia e Paquistão em duas guerras.

"Peça ao governo para falar conosco e nós libertaremos os reféns", disse o homem, identificado pelo canal de TV como Imran. Ele falava em urdu com algum sotaque da Caxemira.

"Vocês sabem quantas pessoas foram mortas na Caxemira? Vocês sabem como seu Exército matou muçulmanos? Vocês sabem quantos deles foram mortos na Caxemira nesta semana?", acrescentou.

Aproximadamente 24 militantes com pouco mais de 20 anos, armados com fuzis automáticos e granadas e carregados de munição, chegaram na quarta-feira ao centro financeiro e turístico de Mumbai.

Eles roubaram um veículo e dispararam contra transeuntes, além de abrir fogo indiscriminadamente em uma estação de trem, em hospitais e em um café popular entre turistas. Eles também atacaram dois dos hotéis mais luxuosos da cidade, cheios de turistas e executivos.

As autoridades fecharam os mercados de ações, bônus e câmbio, mas o banco central afirmou que manterá os leilões para injetar dinheiro no mercado interbancário.

Os ataques foram outro golpe para o governo às vésperas de uma eleição geral, no começo de 2009. O partido governista já era criticado por não conseguir evitar uma série de ataques a bomba em cidades indianas.

A polícia informou que disparou contra sete atiradores e prendeu nove suspeitos. Ela acrescentou que 12 policiais foram mortos, incluindo Hemant Karkare, chefe do esquadrão antiterrorista de Mumbai.

(Reportagem adicional das redações de Nova Délhi e Mumbai)

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