WASHINGTON - Três soldados americanos mataram, em março ou abril deste ano, com tiros na cabeça, quatro prisioneiros iraquianos, que estavam algemados e com os olhos vendados, à beira de um canal em Bagdá, informou o The New York Times.

Depois da execução, um dos soldados ordenou aos outros dois que tirassem as vendas e as algemas dos iraquianos, segundo declarações de dois dos suboficiais envolvidos no caso a investigadores do Exército americano em Schweinfurt, naa Alemanha, citadas pelo jornal nova-iorquino .

Os três soldados atiraram os corpos dos prisioneiros iraquianos no canal e se uniram a outros membros da unidade que os aguardavam próximo ao local, em veículos, e voltaram para a base, no sudoeste de Bagdá, indicaram os documentos da investigação. A confissão do assassinato foi feita pelo primeiro sargento Joseph Mayo e pelo sargento Michael Leahy, que reconheceram ter matado pelo menos um dos quatro iraquianos por ordem do primeiro sargento John Hatley, que teria executado dois dos detidos.

Em julho, outros quatro soldados da unidade de Hatley foram acusados de conspiração para cometer os assassinatos, por não ter se oposto ao plano de seus companheiros. A lei militar proíbe infligir dano a combatentes inimigos que estejam desarmados e sob custódia, explicou o "New York Times".

Na audiência de terça-feira na Alemanha, dois desses quatro soldados, Stephen Ribordy e Belmor Ramos, se acolheram a seu direito de não produzir provas contra si e nada falaram.

Nos depoimentos juramentados, Mayo e Leahy descreveram a situação que os levou a matar os prisioneiros iraquianos, que supostamente eram combatentes do Exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtada al-Sadr.

A patrulha americana perseguiu combatentes até um edifício, onde os detiveram. No lugar, encontraram várias armas automáticas, granadas e fuzis.

No caminho à base, o sargento Hatley recebeu a ordem dos superiores de deixar em liberdade os detidos por considerar que as provas contra eles eram poucas, relatou Leahy.

Foi então que Hatley decidiu levar os iraquianos ao canal para matá-los como vingança pela morte de dois soldados de sua unidade.

"A patrulha foi ao canal e o primeiro sargento (Hatley), o primeiro sargento Mayo e eu tiramos os iraquianos do Bradley (veículo militar), os colocamos em fila e atiramos neles", explicou Leahy.

"Depois, empurramos os corpos em direção ao canal e fomos embora", afirmou.

O sargento Mayo atribuiu a decisão de matar os iraquianos à "irritação" que sentiu, aparentemente, com a recente morte de seus dois companheiros. Leahy disse que se sentia "envergonhado" pelo que fez.

Por enquanto, os investigadores não acusaram Leahy e Mayo, mas provavelmente eles enfrentarão acusações de assassinato, segundo o "New York Times".

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