Soldados do Governo detêm missão da ONU na RDC

Kinshasa, 24 nov (EFE).- Um comboio da Missão da ONU na República Democrática do Congo (Monuc) foi detido por soldados governamentais que pararam 20 homens congoleses armados que seguiam com os capacetes azuis, antes que uma multidão rodeasse e apedrejasse os veículos das Nações Unidas.

EFE |

Segundo informou hoje o porta-voz militar da Monuc, tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, o comboio, que procedia de Rwindi, a 150 quilômetros ao norte de Goma, capital da província de Kivu Norte, foi detido pelos militares das Forças Armadas da República Democrática do Congo (RDC) na entrada da cidade.

No comboio, segundo a Monuc, seguiam 20 milicianos mai-mai, pró-governo, que pretendiam aderir ao programa de desarmamento vigente na RDC e que foram confundidos pelos soldados com guerrilheiros rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), que lutam contra as tropas de Kinshasa.

Os militares exigiram aos "capacetes azuis" a entrega dos homens armados, que se encontram agora em mãos dos serviços de segurança governamentais em Goma, segundo o vice-governador de Kivu Norte, Feller Lutaichirwa.

Depois, segundo explicou Dietrich, um numeroso grupo de civis começou a insultar aos "capacetes azuis" e, no resto do percurso até Goma, uma multidão assobiou e lançou pedras ao comboio, agressão que já tinha ocorrido em ocasiões anteriores.

Numerosas ONGs de ajuda humanitária no leste da RDC criticaram a atuação da Monuc, que acusam de não proteger a população civil na região, e também desconfiam da utilidade do próximo reforço de seus soldados aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Embora a Monuc seja a maior missão de paz da ONU em todo o mundo, com 17 mil soldados - número que em breve subirá para 20 mil -, ela não conseguiu evitar os combates entre rebeldes tutsis do CNPD, que ocuparam, nos últimos meses, grande parte de Kivu Norte, e tropas governamentais.

As tropas da ONU também não têm conseguido garantir a ajuda aos civis refugiados pela violência na região.

O chefe do CNDP, Laurent Nkunda, rejeita a presença da Monuc e, no sábado passado, vinte ONGs pediram ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que apóie um envio de forças européias para proteger os civis da RDC.

Mais de 250 mil pessoas tiveram que abandonar seus lares em Kivu Norte desde que se retomaram os combates entre o CNDP e as forças governamentais, em agosto.

Elas se juntaram a cerca de 1 milhão de refugiados que, segundo a ONU, já havia na província previamente.

Desde 1998, cerca de 5,5 milhões de pessoas morreram na RDC devido aos constantes conflitos, a grande maioria delas até 2003, quando o país sofreu uma guerra civil aberta e especialmente cruel.

EFE py/jp

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