Soldados de Ruanda entram no Congo após acordo

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que cerca de 2 mil soldados ruandeses entraram pelo leste da República Democrática do Congo, uma área onde os rebeldes da etnia hutu, que são contra o governo de Ruanda, estão baseados há anos. O porta-voz da ONU Jean-Paul Dietrich disse à BBC que a medida do governo de Ruanda é parte de um plano de paz estabelecido com o governo congolês.

BBC Brasil |

Em dezembro de 2008 a República Democrática do Congo e Ruanda chegaram a um acordo para tomar medidas conjuntas contra a milícia Forças Democráticas para Libertação de Ruanda (FDLR).

Os líderes desta milícia estariam envolvidos com o genocídio em Ruanda em 1994. Ruanda já invadiu o país vizinho duas vezes durante a década de 90, alegando que perseguia a FDLR.

Correspondentes afirmam que a presença da FDLR no leste do Congo é o ponto-chave da instabilidade da região.

Mas analistas afirmam que parte dos confrontos também é motivada pelo fato de que o leste do Congo é rico em recursos minerais e todos os lados foram acusados de saquear estes recursos.

Desastre
De acordo com Dietrich, que é o porta-voz da missão de paz da ONU na República Democrática do Congo, os soldados ruandeses entraram pela província de North Kivu, perto da cidade de Goma, e se dirigem para a cidade de Rutshuru.

O objetivo da operação conjunta é derrotar a milícia FDLR, cujas forças rebeldes reuniriam mais de 6 mil pessoas.

Thomas Fessy, correspondente da BBC na capital, Kinshasa, afirma que fontes do setor de diplomacia e da ONU temem um desastre humanitário devido à possível falta de planejamento militar.

Ignace Murwanashyaka, líder da FDLR, disse na Alemanha que sua milícia não se envolveu em confrontos até o momento, mas afirmou que não teme a operação conjunta do governo congolês e de Ruanda.

Conflitos
Segundo o correspondente da BBC Mark Doyle, Ruanda e Congo têm se envolvido em muitos conflitos nos últimos anos.

Ruanda acusa o Congo de dar abrigo a milícias de etnia hutu que participaram, em 1994, do genocídio no qual cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados morreram nas mãos de milícias hutus em apenas cem dias.

O atual presidente ruandês, Paul Kagame, era o líder rebelde tutsi que assumiu o poder pondo fim ao genocídio.

O Congo, por sua vez, acusa Ruanda de apoiar um movimento separatista tutsi.

Os dois países recentemente concordaram em trabalhar juntos militarmente, e, de acordo com Doyle, a marcha de soldados do Exército ruandês no leste do Congo pode ser vista neste contexto. Segundo o correspondente, a medida militar pode ser vista como um passo em direção à paz. Mas a operação não é isenta de riscos, segundo Doyle.

Conflitos recentes no leste do Congo, entre a milícia congolesa CNDP (Congresso Nacional para a Defesa do Povo) e o Exército do país, fizeram com que 250 mil pessoas abandonassem suas casas desde agosto de 2008. A maioria destas pessoas ficará aterrorizada com a presença dos soldados ruandeses.

O CNDP é liderado pelo general Laurent Nkunda e declarou um cessar-fogo na última sexta-feira. O grupo alega que estava protegendo tutsis do Congo de ataques da milícia hutu FDLR.

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