Soldados de Israel são suspeitos de roubar ativistas de frota

Segundo imprensa israelense, pelo menos quatro soldados israelenses teriam sido detidos sob acusação de roubar bens de ativistas

iG São Paulo |

AP
Imagens amadoras divulgadas por grupo que levava ajuda humanitária até a Faixa de Gaza mostram soldados israelenses a bordo de um dos barcos (31/05/2010)
O Exército israelense informou nesta quinta-feira ainda não haver provas de que a recente detenção de pelo menos quatro militares esteja relacionada ao roubo de computadores e outros aparelhos tecnológicos de ativistas da frota humanitária que se destinava à Faixa Gaza e foiatacada em 31 de maio , ação que terminou com nove ativistas pró-palestinos turcos.

A declaração do Exército foi feita após a imprensa israelense anunciar a prisão de dois militares acusados de roubar computadores e telefones celulares em um dos barcos da frota humanitária. Além do soldado e do subtenente, pelo menos outros dois militares teriam sido detidos sob a acusação de tentativa de compra do material roubado, informou o site do jornal Yediot Aharonot.

Fontes ligadas à investigação afirmaram ao jornal que o subtenente teria roubado e vendido ao soldado entre quatro e seis laptops. O soldado teria repassado os computadores aos outros militares há dois meses.

Um oficial de alto cargo do Exército israelense disse ao "Yedioth Ahronoth" que "a investigação acaba de começar", mas que "a situação será embaraçosa e vergonhosa". "Esses são soldados que não entendem o que representa o uniforme que vestem", disse.

Em comunicado oficial, um porta-voz militar confirmou a investigação, mas disse que ainda não foi possível determinar se o roubo aconteceu a bordo de um barco da frota. "Nesse momento não temos certeza de que os equipamentos provêm realmente do (navio) Mavi Marmara", afirma o comunicado em referência ao principal dos seis navios que formavam a flotilha internacional.

A nota de imprensa acrescenta que o caso está sendo investigado pelas forças de segurança, e por isso não podem ser publicados mais detalhes.

Os navios da frota humanitária se dirigiam a Gaza com a intenção de romper o bloqueio israelense ao território palestino. A frota foi abordada em águas internacionais, causando uma onda generalizada de protestos contra Israel e uma crise sem precedentes nas relações turco-israelenses .

Depois do ataque de 31 de maio , os ativistas foram levados ao porto de Ashdod, ao sul de Tel Aviv, e seus pertences foram confiscados pelo Exército e pela polícia israelenses. Pouco depois, surgiram as primeiras denúncias de alguns ativistas, que afirmaram não ter recebido de volta seus pertences. Além disso, um jornalista italiano que estava no navio afirmou que seu cartão de crédito tinha sido usado.

O caso se soma ao escândalo protagonizado há alguns dias por uma soldado que, após licenciar-se, publicou no Facebook fotos que tinha feito com prisioneiros palestinos de Gaza algemados e com os olhos vendados.

Mais um navio a caminho de Gaza

Um navio argelino com ajuda humanitária à população palestina da Faixa de Gaza, que sofre há três anos o bloqueio israelense, partiu na quarta-feira do porto de Argel. A expedição argelina, cuja partida estava prevista para 5 de julho, é organizada pela Associação de Ulemás Muçulmanos argelinos, com a colaboração de cidadãos, empresários e associações da sociedade civil "em solidariedade com o povo palestino", segundo os organizadores.

O navio transporta 60 contêineres com 600 toneladas de produtos básicos, material escolar e médico, incluindo aparelhos de hemodiálise. Em seis dias, o navio vai atracar no porto egípcio de Arish, desde onde o material será levado a Gaza. A população palestina de Gaza sofre o bloqueio israelense desde que o movimento islamita Hamas tomou o controle da faixa territorial em junho de 2007.

*Com AFP e EFE

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