Soldados de Israel e Líbano entram em confronto na fronteira

Pelo menos três soldados libaneses, um oficial israelense e um jornalista morreram na troca de disparos, dizem fontes militares

iG São Paulo |

AFP
Equipes de resgate em Adaisseh retiram soldado libanês ferido em choques com soldados israelenses na fronteira
No mais sério choque entre soldados libaneses e israelenses desde a guerra entre Israel e o grupo xiita islâmico Hezbollah em 2006, pelo menos três soldados libaneses, um oficial de alta patente do Exército de Israel e um jornalista morreram nesta terça-feira na troca de disparos com armas automáticas e no lançamento de foguetes na fronteira entre Israel e Líbano, informaram fontes militares dos dois países. As fontes identificaram o jornalista morto como Assaf Abu Rahhal.

Segundo a rede de TV CNN, o coronel Dov Harari, comandante de um batalhão, foi morto nos confrontos, de acordo com uma declaração das Forças Armadas de Israel. Outro soldado israelense estaria seriamente ferido. O número exato de soldados libaneses mortos ainda é impreciso, com informações de que pelo menos três teriam morrido nos choques. Outros estariam seriamente feridos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve fazer consultas a portas fechadas nesta terça-feira sobre os confrontos, informou uma fonte diplomática. A fonte, que pediu para não ser identificada, disse que o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, que preside hoje a entidade de 15 membros, anunciará a reunião em breve.

Início dos confrontos

A violência aparentemente foi desencadeada quando um grupo de soldados israelenses tentou cortar uma árvore situada na fronteira, numa área perto do povoado fronteiriço libanês de Adeisseh.

Havia informações de que eles tentaram cortar a árvore na chamada cerca técnica, instalada por Israel e localizada antes da "linha azul" marcada pela ONU para definir a retirada israelense do sul do Líbano em maio de 2000, após 22 anos de ocupação. Um oficial do Líbano, porém, disse que o confronto começou quando os israelenses tentaram remover uma árvore do lado libanês da fronteira.

Os israelenses teriam feito os primeiros disparos para o ar, mas pouco depois teriam lançado dez morteiros, sendo que um deles caiu perto de uma posição do Exército libanês. Além disso, segundo fontes militares, helicópteros israelenses que sobrevoaram a região também participaram do ataque.

A área onde aconteceu o confronto fica no setor leste da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul). O confronto ocorre justamente no dia em que o Hezbollah tem celebrações programadas por ocasião do quarto aniversário do final do conflito de 2006 com Israel.

O presidente do Líbano, Michel Suleiman, em mensagem divulgada por seu escritório, ordenou o Exército a responder às violações israelenses da resolução 1701 (que pôs fim ao conflito), "sem levar em conta os sacrifícios". Israel reagiu responsabilizando o Líbando pelos choques .

As Nações Unidas pediram a "máxima contenção", dizendo trabalhar com os dois lados para restaurar a calma, mas testemunhas no Líbano informaram que houve ataques intermitentes de Israel na área horas depois do início dos confrontos.

A fronteira estava em relativa calma desde a guerra com o Hezbollah há quatro anos, que deixou 1,2 mil libaneses e 160 israelenses mortos. O confronto desta terça-feira não pareceu envolver militantes do Hezbollah. Depois da guerra de 2006, a ONU posicionou 12 mil membros das forças de paz na área.

As tensões ao longo da fronteira aumentaram em meses recentes. Israel alega que o Hezbollah aumentou significativamente seu número de membros e melhorou seu arsenal de foguetes desde 2006. Entre outras coisas, autoridades israelenses acusam a Síria e o Irã de fornecer ao Hezbollah mísseis Scud que seriam capazes de atingir qualquer alvo em Israel, acusação que o Hezbollah rejeita confirmar ou negar. Além disso, mais de 70 pessoas foram presas no Líbano desde o ano passado sob suspeita de colaborar com Israel.

*Com AP, EFE e AFP

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