Soldados chineses tomam o controle nas regiões devastadas pelo terremoto

Os soldados chineses estão atuando nas regiões devastadas pelo terremoto que abalou o sudoeste da China, na última segunda-feira, para encontrar sobreviventes e ajudar os desabrigados, uma missão histórica para o Exército Popular de Libertação (EPL).

AFP |

A China mobilizou um total de 100.000 policiais e soldados do Exército Popular de Libertação, anunciou nesta quarta-feira o primeiro-ministro, Wen Jiabao.

A pé, em caminhões e em helicópteros, dezenas de milhares de militares foram mobilizados ao norte da província chinesa de Sichuan, assolada na segunda-feira pelo terremoto (de magnitude 7,9), que deixou pelo menos 12.000 mortos, dezenas de milhares de feridos e milhares de corpos sepultados nos escombros.

Os soldados do EPL, que ano passado também ajudaram a combater os problemas causados pelas nevascas do inverno, são agora retratados como heróis pela mídia local.

Em cada catástrofe natural, o EPL é acionado, pois são as únicas ocasiões para se mobilizar o maior exército do mundo, que conta com um total de 2,3 milhões de membros.

Desde o final dos anos 70, o exército chinês tem se mobilizado nos "campos de batalha" de cidades devastadas por terremotos, por correntes de lama e em portos destruídos por tufões.

Nos últimos anos, o EPL enviou 340.000 soldados em 3.000 missões que salvaram a vida de 3,4 milhões de compatriotas, segundo dados do governo.

Esses números não levam em conta os soldados da polícia militar, ligados ao Ministério da Defesa, que no início do ano desbloquearam estradas cobertas de neve e gelo nas províncias meridionais.

Estas nevascas paralisaram por semanas a atividade econômica do país e ilharam milhões de crianças, justo na época das férias do Ano Novo lunar.

Durante semanas, os soldados do povo recebiam amplo destaque nos meios de comunicação e os canais de televisão dedicavam programas especiais spbre seus trabalhos.

Uma das principais missões do EPL nos últimos anos foi o trabalho de resgate durante as terríveis enchentes do rio Yangtzé em 1998.

Milhares de pessoas morreram nessas inundações, mas os militares foram considerados heróis por terem salvado a vida de milhões de compatriotas.

Essas ações permitiram que o EPL recuperasse sua imagem perante a população após a sangrenta repressão do movimento pró-democrático em 1989 e de uma série de escândalos de corrupção.

No início dos anos 90, oficiais do EPL aproveitaram as reformas econômicas e o exército tornou-se um importante investimento, distanciando-se de sua missão original, isto é proteger a nação, o Partido Comunista e o povo chinês.

De um exército politizado sob o regime de Mao, o EPL profissionalizou-se e equipou-se para as guerras modernas. Seu efetivo foi reduzido e seus recursos não param de crescer à medida que a China ganha espaço no cenário internacional.

O orçamento da Defesa deve aumentar em 17,6% em 2008, após anos de fortes altas.

No entanto, o que a opinião pública vê mais uma vez, desde o terremoto de segunda-feira, são valentes soldados que lutam contra a natureza.

dma/cl

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